A capacidade de articulação do presidente reeleito com o Congresso é um dos principais pontos de atenção a partir de agora

A capacidade de articulação do presidente reeleito com o Congresso é um dos principais pontos de atenção a partir de agora

Urna eletrônica - Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mesmo com a prorrogação da votação em duas horas, decidida em liminar pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, das 17h para 19h (horário de Brasília), o resultado não deixa margem para contestações, na avaliação do BTG Pactual.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

A reeleição do petista contrariou as pesquisas de intenção de votos das últimas semanas e o resultado do primeiro turno das eleições, que apontavam uma vitória do senador — ele já disse que vai questionar o resultado do pleito.

“A visão de integrantes do Tribunal Superior Eleitoral [TSE] e do Supremo é de que o sólido resultado não dá espaço para questionamentos”, afirma a equipe do banco após o resultado das urnas.

Para os analistas, os principais pontos de atenção agora são a capacidade de articulação do presidente reeleito com o Congresso, a composição da equipe econômica e a disposição do governo para avançar com medidas de ajuste fiscal.

Apesar da vitória nas urnas, Lula terá pela frente um Congresso com forte presença da direita a partir de 2027.

Segundo a análise do BTG Pactual, a reconstrução da base de apoio será um dos principais desafios políticos do novo mandato, especialmente porque partidos do Centrão se aproximaram da candidatura de Flávio Bolsonaro após o primeiro turno.

O PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá 28 cadeiras no Senado e 121 na Câmara dos Deputados, reforçando a capacidade de articulação da oposição e dificultando a aprovação de propostas de interesse do governo.

Nesse contexto, o presidente precisará buscar uma composição com partidos que não estiveram integralmente alinhados ao PT durante a campanha. A capacidade de negociação será determinante para viabilizar tanto a agenda econômica quanto as demais propostas do Executivo.

As disputas pelo comando das duas Casas Legislativas também devem refletir o resultado eleitoral. Davi Alcolumbre (União Brasil), presidente do Senado, e Hugo Motta (Republicanos), presidente da Câmara dos Deputados, que atuaram como importantes articuladores políticos em favor de Lula, saem fortalecidos na avaliação apresentada pelo banco.

A perspectiva de permanência de Motta no cargo, porém, é considerada mais favorável do que a de Alcolumbre.

No campo econômico, o BTG Pactual destaca que ainda não há clareza sobre a agenda econômica do quatro mandato de Lula, uma vez que os esforços do governo nos últimos meses estiveram concentrados na reeleição, sem um planejamento efetivo para o próximo ciclo de governo.

“A agenda econômica de Lula ainda será definida, assim como os nomes de sua futura equipe econômica. O time atual defende que sejam apresentadas medidas de ajuste ainda este ano — mas precisa convencer o presidente sobre o alcance delas, especialmente num contexto de deterioração do cenário fiscal após as medidas tomadas na reta final da eleição”, afirmam os analistas do banco.

As especulações sobre uma possível indicação de Geraldo Alckmin para o Ministério da Fazenda, com Bruno Moretti permanecendo no Planejamento, aparecem entre os cenários discutidos para a composição do novo governo.

“O anúncio viria como mensagem ao mercado de que há abertura para algum ajuste, mas ainda não há martelo batido sobre a composição”, destaca a análise do banco.

É repórter de mercados do Money Times, site parceiro do Seu Dinheiro. Jornalista formada pela PUC-SP, já passou pelo setor de análise política da XP Investimentos.

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