Lula reconheceu que terá de negociar com parlamentares eleitos pelo voto popular e voltou a mandar um recado sobre a soberania do Brasil.

O presidente reeleito reconheceu que terá de negociar com parlamentares eleitos pelo voto popular e voltou a mandar um recado sobre a soberania do Brasil

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Entrevista ao programa Sem Censura, nos estúdios da EBC - Imagem: Ricardo Stuckert / PR

Luiz Inácio Lula da Silva virou o jogo nos "45 minutos do segundo tempo" das eleições de 2026. Agora, o desafio é transformar a vitória nas urnas em capacidade de governar. O primeiro obstáculo está no Congresso, cuja composição não foi escolhida pelo presidente e exigirá negociação para que as propostas do governo avancem.

No discurso da vitória, neste domingo (25), Lula reconheceu o desafio e afirmou que trabalhará com os parlamentares eleitos para aprovar as medidas de sua gestão.

A fala também trouxe recados para a direita, que avançou nas eleições legislativas, e para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliado de seu adversário derrotado, Flávio Bolsonaro (PL).

Lula voltou a defender a soberania brasileira, criticou a influência estrangeira por meio das plataformas digitais e prometeu regulamentar as redes sociais. O petista ainda repetiu o discurso feito na Organização das Nações Unidas (ONU) que o País não aceitará ser quintal de ninguém.

Lula condenou o que chamou de “intromissão que veio de fora para dentro” por meio das plataformas digitais e defendeu que as regras aplicadas ao mundo físico também valham para o ambiente virtual. “O crime do mundo digital tem de ser tratado como o crime da vida real”, afirmou.

Sem citar diretamente Flávio Bolsonaro, o presidente também classificou a eleição como uma “derrota do negacionismo e da mentira” e criticou a disseminação de informações falsas durante a campanha.

O discurso sinaliza que a comunicação digital deve ganhar espaço no novo mandato.

Lula reconheceu que precisa mudar a forma como seu governo se comunica e agradeceu ao deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), que mobilizou apoiadores por meio do chamado “Exército do Lula”, grupo com quase 11 milhões de seguidores no WhatsApp.

“Vamos mudar o jeito de governar esse país. Vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões e a comunicação digital vai ganhar espaço no nosso governo”, declarou o presidente reeleito.

Apesar dos recados aos adversários, Lula afirmou que pretende governar para os 215 milhões de brasileiros, independentemente de idade, classe social ou religião. O presidente também reconheceu que precisará negociar com os parlamentares eleitos para tirar seus projetos do papel.

“Fui eleito para governar para todos. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e com ele vou trabalhar para aprovar as coisas”, disse.

Lula agradeceu aos eleitores que foram às urnas e destacou a participação de jovens e idosos na campanha. Também prometeu fazer o melhor mandato de um presidente brasileiro e afirmou que quer garantir mais tranquilidade à população, especialmente às mulheres.

O presidente reeleito completa 81 anos na quarta-feira (27).

A vitória de Lula foi resultado de uma reviravolta entre os dois turnos.

O petista terminou a primeira etapa da eleição com cerca de 2,2 milhões de votos a menos que Flávio Bolsonaro, mas virou o resultado e encerrou a disputa com uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos — uma mudança de cerca de 6,6 milhões de votos em 20 dias.

Lula foi eleito com 51,79% dos votos válidos, ou 64,26 milhões de votos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, que recebeu 59,83 milhões.

No primeiro turno, Flávio havia liderado com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. A virada marcou um episódio inédito nas dez eleições presidenciais realizadas no Brasil desde 1989: pela primeira vez nesse período, o candidato que terminou o primeiro turno na liderança não venceu a disputa.

Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é diretor de conteúdo do Money Times e do Seu Dinheiro.

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