Pedro Fontes é responsável pela Direção de Sistemas de Informação e Transformação Digital na EPAL. Uma partilha sobre a necessidade de dotar as equipas de ferramentas que fomentem a autonomia.

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Reino Unido, um conjunto de empresas, privatizações, governo Margaret Thatcher. Nada contra capital privado, Pedro Fontes, ideologicamente falando, nada contra, antes pelo contrário, não é isso que está em causa. Agora, quando investimentos que são requeridos em sistemas são participados numa loja de redistribuição de dividendos, alguma coisa vai mal no reino.

Este é o "Querido Líder", o podcast da Rádio Observador dedicado à liderança, com os especialistas residentes Jorge Medeiros e Milton de Sousa. Eu sou o Ricardo Conceição e o nosso convidado desta semana é Pedro Fontes, responsável pela Direção de Sistemas de Informação e Transformação Digital na EPAL. É engenheiro do ambiente pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Completou a formação executiva em Gestão e Serviços de Água na Católica Lisbon School. Depois passou também pela Nova SBE e pelo programa PAD na IESE Business School. Ao longo da carreira foi diretor de engenharia da Águas do Oeste SA, depois na EPAL, esteve na direção do programa de neutralidade energética EPAL 0%, foi diretor de inovação. Entretanto, também foi administrador na ADP Valor, da Águas de Portugal, e atualmente é diretor de Sistemas de Informação e Transformação Digital da EPAL. É casado, tem três filhos. Bem-vindo, Pedro Fontes.

Gostamos sempre de começar pelo início. É uma boa forma de começar estas conversas. Quando é que percebeu que o caminho profissional ia passar pelo ambiente, pela tecnologia ligada à água? Não é o tipo de coisa que nós pensamos quando somos crianças, não é? "Eu quero dedicar a minha vida à água."

Olá, antes de mais, bom dia e obrigado pelo convite. Naquela altura em que todos escolhemos o que é que vamos fazer, havia aqui uma grande indecisão entre o que era as engenharias e a matemática, e o que era a medicina, com as biologias e as químicas. E há um professor, sempre um professor inspirador, que coloca à frente a engenharia do ambiente, um equilíbrio entre os dois mundos. Estamos a falar da década de 90. Não se sabia bem o que era engenharia do ambiente em Portugal. Havia dois cursos, mas era um trajeto. E foi assim, foi uma escolha de meio caminho, que é difícil de explicar depois quando se chega a casa e se explica que a opção vai ser esta, entre as duas, que seriam as mais óbvias. Foi uma questão de compromisso e foi assim.

Mas este interesse pelo ambiente vem da infância, do crescimento, da sua ligação à zona entre o Ribatejo e as Beiras?

Isso é outra história. Sim, a proximidade. Admito que sim, sempre estive ligado a movimentos na área do ambiente, ainda no tempo da escola secundária. A fotografia, os concursos de fotografia. A relação com os bichos, com os animais, com a natureza, a proximidade, é uma coisa que está presente na vida. E há um professor que, por sinal, tinha participado em expedições do Comandante Jacques Cousteau, que nos mostrava umas fotografias incríveis nas aulas de Biologia. E foi exatamente esse professor que, naquela indecisão do que é um décimo de segundo, diz: "Já foste ver engenharia do ambiente, o que é que isto é?" E a superescolha foi assim, foi uma escolha de meio caminho, mas sim, a relação com o espaço onde habitamos.

E acertada, não é? No seu caso.

Sim, voltaria a fazer.

Sim. Estávamos aqui a conversar sobre a água e a qualidade da água. Ainda há muita desconfiança em relação à água que nos sai da torneira. Por que acha que isso acontece.

Não sei se ainda há muita desconfiança.

Não. Julgo que neste momento isso é um capítulo que foi ultrapassado. Poderá haver uma desconfiança, não tanto no tema da qualidade, mas no sentido da portabilidade da água.

E dos sabores. E que isso é legítimo. Se eu preciso de água portável, eu levo uma água em garrafa. Depois, se levo uma água que atesto ou se levo outra garrafa, isso é um outro assunto. Os sabores, o gás, sem gás. Eu não coloco isso num plano de qualidade. A qualidade da água que hoje em Portugal existe, genericamente falando, não sou eu que afirmo, a Organização Mundial de Saúde, diretivas europeias e que têm padrões de qualidade, que eu não quero criar aqui a situação de é melhor ou é pior.

Eu diria que tem um quadro muito mais restritivo do ponto de vista de qualidade e de conformidade, isto é uma matéria de factualidade.

E é muito vigiado, ou não?

É isso. A frequência e a amplitude de parâmetros que estão em análise quando falamos de água de abastecimento, por força da legislação portuguesa, que emana de diretivas europeias, é claramente mais exigente do que qualquer outro tipo de água, e por razões que se compreende.

E como é que chegou a esta posição atual na EPAL? Como é que casou o ambiente com a transformação digital? Vou fazer a pergunta de uma forma muito simplista: onde é que os computadores e a inteligência artificial entram na canalização?

Desde que comecei a minha atividade profissional, eu sempre andei em áreas fora de pista Eu trabalhei muitos anos na área da construção de infraestruturas. Mais de 20 anos da minha vida foi a dirigir equipes de engenharia em construção de infraestruturas. E essa relação com a execução das intervenções, seja nos mínimos regras de civil, de equipamentos e tecnologias de informação, que estão dentro de todas as estações de tratamento de águas residuais e de abastecimento, é algo que resulta desse conhecimento, desse tempo todo que tive na atividade de construção. E quando eu estava na atividade de construção com as equipes, havia um momento que era o do recreio. O momento do recreio é aquele momento em que testávamos coisas diferentes, métodos construtivos diferentes, formas de fazer, até porque a exigência daqueles tempos de fazer investimento.

Por iniciativa de quem? Sua, Pedro?

Da sua alta criação.