Primeiro-ministro de Israel não adianta mais detalhes, diz que "aconteceu algo terrível" a um dos filhos. Ainda, EUA ameaçam tomar medidas unilaterais contra países que continuem relações com Irão.

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"Guerra Traduzida: Especial Irão". Nos próximos minutos damos destaque à imprensa norte-americana e do Médio Oriente, hoje com a ajuda do jornalista Miguel Pina Andrade. Boa tarde, Miguel.

Olá, Miguel, boa tarde.

A operação Pária Económico dos Estados Unidos contra o Irão já está em curso. Washington ameaça tomar medidas unilaterais contra os países que continuem a manter relações com Teerão.

Anúncio feito esta segunda-feira pelo secretário norte-americano do Tesouro. Em conferência de imprensa na Casa Branca, Scott Benson avisa que as entidades que tenham relações com o Irão ou facilitem a lavagem de dinheiro serão excluídas do sistema financeiro norte-americano baseado no dólar e avisa que o tempo já está a contar.

"Cada país tem uma linha de tempo definida para terminar as atividades que identificamos. Se não agirem, faremos isso de forma unilateral, através das autoridades do Tesouro americano. Qualquer entidade que facilite a lavagem de dinheiro em nome do Irão vai ser excluída do sistema financeiro baseado no dólar. O tempo já está a contar. As novas sanções que foram lançadas hoje atingem alvos digitais, tecnologia, ouro, aviação e vendas iranianas".

Declarações do secretário do Tesouro dos Estados Unidos na Casa Branca, Scott Benson, nesta segunda-feira. Scott Benson garante ainda que ninguém está acima das sanções norte-americanas e que o Irão enfrenta uma escolha muito clara, diz o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, que tem apenas dois caminhos possíveis: o isolamento total e uma economia de subsistência, ou um regresso à normalidade com a oportunidade de reintegração na economia global.

E na reação, o regime iraniano desvaloriza este anúncio dos Estados Unidos de novas sanções contra a República Islâmica.

Uma mensagem transmitida pelo presidente do Parlamento do Irão, que sublinha que os Estados Unidos não estão em posição económica para restringir ainda mais a relação com outros países. Numa mensagem partilhada nas redes sociais, Mohammad Bagher Ghalibaf classifica como absurdas estas ameaças de Washington contra os países que não alinhem na campanha económica de Donald Trump. O dirigente classifica mesmo estas pretensões como disparates. O líder do Parlamento afirma ainda que os aliados da República Islâmica não vão prestar atenção à retórica dos Estados Unidos.

E também o ministro iraniano da Economia reagiu a este anúncio do secretário norte-americano do Tesouro. Ali Madani Zade promete uma nova derrota para os Estados Unidos.

E também que o governo no Irão estava preparado com um plano de dois anos para gerir este tipo de eventos. Em declarações na televisão estatal, o responsável iraniano pela pasta da Economia afirma que os Estados Unidos fizeram de tudo para testar a determinação do povo iraniano e também dos responsáveis do país. Mas Ali Madani Zade considera que Washington falhou sempre e que por isso querem sofrer uma nova derrota. É o que promete o governante.

E o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acusou o Irão de tentar assassinar um dos dois filhos.

Sem adiantar mais detalhes. Numa entrevista telefónica ao canal israelita Channel 14, Netanyahu diz apenas que aconteceu algo terrível, referindo-se à alegada tentativa de assassinato de um dos três filhos. O primeiro-ministro de Israel tem dois filhos e uma filha. Isto diz Netanyahu, porque não se sabe ainda qual é que é o filho que foi visado na tentativa de assassinato. O filho mais velho, de 35 anos, tem passado longos períodos em Miami desde o início de 2024. Está sob proteção do Serviço de Segurança Interna israelita, o Shin Bet. Esta estadia em território norte-americano tem gerado várias polémicas, tanto em Israel, devido ao custo da proteção para os contribuintes, como também na Flórida. Os habitantes expressaram receio de que a presença do filho de Netanyahu pudesse tornar a região um alvo de ataques por inimigos de Israel. Pouco depois desta declaração do chefe de governo israelita, um conhecido jornalista no país escreveu no canal de Telegram que esta alegada tentativa de assassínio era conhecida já há meses, mas estava sujeita a uma proibição de publicação.

E os Estados Unidos deram ordem de regresso aos diplomatas retirados de embaixadas do Médio Oriente.

Tinham sido evocadas devido à guerra contra o Irão. A informação é avançada pelo New York Times, que cita um documento interno do Departamento de Estado e também três funcionários norte-americanos. O documento refere que, com base na avaliação mais recente, os Estados Unidos estão a ajustar o quadro de pessoal em determinadas missões no Médio Oriente. Isto para garantir a promoção dos objetivos da política externa norte-americana. O regresso pode acontecer esta semana e sugere que a administração Trump não vai antecipar um regresso das hostilidades, é o que refere o New York Times, apesar do anúncio da Operação Pária Económico, feito esta segunda-feira contra o Irão. Os primeiros diplomatas vão regressar ao Líbano, embora o plano preveja que o quadro de funcionários não esteja totalmente ainda completo. Depois vai regressar integralmente o pessoal diplomático das embaixadas em Israel, na Jordânia e no Omã, seguindo-se o Qatar, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque e também o Kuwait. Nestes casos, os diplomatas vão regressar de forma parcial.

Falamos ainda das negociações de paz para o fim de guerra entre o Irão, os Estados Unidos e também Israel.

O Paquistão descreve um progresso significativo nas discussões. Um ponto de situação que foi avançado pelo ministro paquistanês da Administração Interna, após uma visita oficial a Teerão. De acordo com a Reuters, Mohsin Naqvi acompanhou o chefe de Estado-Maior do Exército do Paquistão à capital iraniana, isto para discutir medidas de prevenção de escalada do conflito e também para discutir uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz. Na rede social X, o governante classifica o encontro como muito construtivo, onde foi possível alcançar progressos significativos em direção à paz.

Ponto final na Guerra Traduzida de hoje sobre o conflito no Médio Oriente. Eu sou o Miguel Gato, a edição de hoje foi com o jornalista Miguel Pina Andrade.