Presente no mercado há mais de quatro décadas, o Nissan Micra renovou-se no ano passado e é atualmente 100 por cento elétrico. O Auto ao Minuto pôde experi...

O Nissan Micra é um dos mais populares citadinos do mundo. Está em produção desde 1982 - há 44 anos - e em 2025 entrou na sua quinta geração. Agora, é um modelo 100 por cento elétrico.

O Auto ao Minuto pôde conduzir este compacto durante alguns dias, e falamos agora do modelo japonês... que tem um "ADN" vincadamente francês (já lá vamos).

Ao longo do teste, levámos o Micra a estradas nacionais e regionais em percursos interurbanos, circulando também em centros citadinos, na hora de ponta, não faltando trechos em autoestrada.

Este modelo tem, na variante testada (Evolve), uma bateria de 52 kWh que proporciona uma autonomia combinada de 413 km. Mas também tem uma opção de entrada de 40 kWh, em que a autonomia desce para 319 km. Em teoria, é possível carregar dos 10 aos 80 por cento em cerca de 30 minutos (carregamento rápido).

A unidade ensaiada apresenta 150 cv de potência e 245 Nm de binário, sendo capaz de chegar aos 150 km/h e de acelerar dos 0 aos 100 km/h em oito segundos. A variante de 40 kWh debita 122 cv, 225 Nm e acelera dos 0 aos 100 km/h em nove segundos. A velocidade máxima é igual. De referir que, além de Evolve no topo da gama, há os níveis de equipamento Engage (de entrada, a partir dos 27.100 euros) e Advance (29.100 euros).

O Nissan Micra Evolve 52 kWh que experimentámos é proposto por 37.406 euros - com pintura metalizada e despesas. No configurador oficial, o nível Evolve está a partir dos 34.600 euros.

Em termos de posição de condução, o condutor sente-se lá em baixo, faltando alguma visibilidade, devido ao posicionamento face aos pilares A - pese embora a possibilidade de ajustar o posicionamento do banco.

Sentimos isto quando parámos num semáforo pouco antes da linha delimitadora de paragem e tivemos de nos posicionar para ter visibilidade direta para as luzes: mesmo ajustando o banco em altura e em posição longitudinal (é ajustável manualmente em seis posições e em duas posições lombares, no caso do condutor).

Quem conduz, pode agarrar bem o volante, que é ergonómico e tem um bom contacto visual com o painel de instrumentos. Dessa perspetiva, o desenho está bem conseguido.

Como citadino de pequenas dimensões, o Nissan Micra apresenta-se dinâmico e ágil, sendo a condução uma experiência divertida. A aceleração é suave regra geral, mas nota-se uma certa agressividade adicional em modo Sport - quando o carro parece até ficar mais "leve", transparecendo uma certa instabilidade em aceleração.

Não tendo níveis aberrantes de potência - nem se espera isso de um citadino - nunca sentimos falta de desempenho. Nem mesmo em autoestrada ou em subidas mais íngremes em que é preciso requerer um pouco mais para ganhar e/ou manter velocidade. Mas, em modo Eco, a resposta é um pouco mais demorada e a potência mais contida.

A sensação com o pedal do travão não é a melhor, parecendo muito "duro": fica a sensação que um toque um pouco mais forte vai resultar numa travagem brusca. Mas, à medida que é criada habituação, essa sensação desaparece.

O amortecimento é suave, não se sentindo muito as irregularidades do piso, num automóvel que estável que não apresenta muitas oscilações. Quanto à direção, é precisa e leve, proporcionando sempre controlo e um raio de viragem competente para as cidades.

Outra característica do Nissan Micra são os quatro níveis de regeneração de energia, controláveis através de patilhas atrás do volante (uma diferença face ao Renault 5 E-Tech). No nível mais intenso (One-Pedal), é só levantar o pé do acelerador para o carro abrandar até à paragem completa sozinho. Uma função muito útil para situações que envolvam muito para-arranca como centros de cidades ou para o trânsito em hora de ponta.

São quatro os modos de condução: além dos mencionados Eco e Sport (um proporciona mais economia, outro mais desempenho), há ainda o Comfort equilibrado e o Personalizado em que o condutor pode adaptar vários parâmetros do comportamento às suas preferências.

Fizemos cerca de 228 km. Pouco antes de entregarmos o carro, registámos 42% de bateria e autonomia estimada para mais 201 km - o que, a ser cumprido, ficaria sensivelmente acima dos 413 km anunciados. Usámos muito regularmente o modo Eco, um nível de regeneração elevado, sem puxarmos o carro em demasia. Os consumos médios andaram na casa dos 13,5 kWh a 14 kWh - abaixo do combinado anunciado de 14,9 kWh/km.

Pudemos contactar com assistências à condução úteis, incluindo assistente inteligente de velocidade, aviso de ângulo morto ou aviso de saída de faixa de rodagem.

No geral, o habitáculo com lugares para cinco pessoas (incluindo condutor) é bem insonorizado, embora se sinta algum ruído a velocidades de autoestrada. Os bancos, confortáveis, são revestidos numa mistura de tecido e uma espécie de pele, sendo agradáveis ao tato.

Há muitos plásticos na construção, mas esta tem uma boa qualidade. A habitabilidade é melhor à frente, com o espaço e posicionamento para os passageiros de trás a serem pouco confortáveis - fruto também dos apenas 2.541 milímetros de distância entre eixos, sendo tudo muito compacto por dentro. Não recomendaríamos este carro para transportar três adultos atrás.

O sistema de infoentretenimento NissanConnect com base Google é intuitivo, com as principais funções de fácil alcance tátil. É possível ligar smartphones via Android Auto e Apple CarPlay. Não faltam controlos físicos, inclusive para a climatização na consola central. Há carregador wireless e duas tomadas USB-C, enquanto os ecrãs - iguais aos de muitos modelos Renault - estão orientados para o condutor. Quer o painel de instrumentos, quer o ecrã tátil central, medem 10,1 polegadas.