Plenário da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) - Foto: Nando Chiappetta/Alepe A nova cara da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) formada após as eleições do último domingo (4) deve tornar mais confortável a relação entre a governadora reeleita Raquel Lyra (PSD) e a Casa, após um primeiro mandato marcado por conflitos e disputas. 

Na nova composição a gestora vai contar com uma bancada própria maior e um conjunto de partidos aliados fortalecidos, com capacidade de garantir maioria absoluta do plenário. 

Presidido pela governadora, o Partido Social Democrático, que não possuía deputado estadual eleito em 2022, agora terá nove cadeiras e vai dividir com o PSB, partido de oposição que também teve nove nomes eleitos, o posto de maior bancada. 

Partidos que formaram a aliança pela reeleição de Raquel Lyra também conseguiram êxito em formar bancadas numerosas no Legislativo estadual. Junto ao PSD, o PP, Podemos, União Brasil e Avante elegeram 24 dos 49 deputados da Alepe. Se for considerado o partido Novo, que declarou apoio à reeleição da governadora, o número de aliados diretos alcança 25 parlamentares. 

Projeções baseadas em posicionamentos públicos e históricos dos parlamentares indicam que a base governista pode ser ainda maior, chegando a 30 deputados. Isso porque, mesmo no bloco de partidos de oposição, há eleitos alinhados com a governadora, como o deputado estadual João Paulo Lima (PT) e a deputada eleita Lara Santana (PV). 

A vantagem é vista como um marco no avanço da relação de tensão que se instalou entre o governo estadual e a Casa de Joaquim Nabuco. A oposição conseguiu ocupar posições estratégicas, como as principais comissões, e, em diferentes momentos, impôs derrotas ou dificultou a aprovação de matérias do interesse do Executivo. 

A governadora deve aproveitar o novo momento para tentar eleger um presidente da mesa diretora diretamente alinhado com o governo estadual. Eleito presidente em 2023, do mesmo partido de Raquel Lyra à época, Álvaro Porto (MDB) passou para a oposição ao governo estadual e foi reconduzido para o comando da Casa, blindando a influência do Executivo sobre ela. 

Para o novo biênio 2027-2028, um dos nomes que ganha força para ocupar a presidência é do deputado estadual Antônio Moraes (PSD). Reeleito para o oitavo mandato, Moraes é visto como um parlamentar experiente, tendo ocupado a presidência da Comissão de Justiça, a mais importante da Casa. Em diversas vezes, foi Antônio Moraes o encarregado de resolver imbróglios entre o Palácio e a Alepe durante o atual mandato. 

Encontro A movimentação para construir uma nova relação com a Assembleia, no entanto, já começou antes mesmo da posse da nova legislatura. Nesta segunda-feira (5), um dia após a eleição, Raquel Lyra reuniu deputados estaduais eleitos e reeleitos no Palácio do Campo das Princesas para discutir a relação entre o Executivo e o Legislativo a partir de 2027.

O encontro ocorreu em meio às primeiras articulações para a formação da nova Mesa Diretora e sinalizou que a governadora pretende iniciar antecipadamente a construção de sua base na Casa.

A reunião também reforça a avaliação de que a composição eleita no domingo abre uma oportunidade para o governo mudar a dinâmica que marcou a atual legislatura. Em vez de aguardar a posse para negociar a sustentação parlamentar, Raquel já começou a conversar com os futuros integrantes da Assembleia.

A expectativa de uma relação mais próxima também é compartilhada pelo secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça. Segundo ele, o governo espera uma melhora na interlocução com a Alepe a partir da nova composição.

A avaliação de Vilaça considera não apenas o resultado das urnas, mas a experiência acumulada ao longo do primeiro mandato.