Após os últimos R$ 140 bilhões injetados no plano, governo cobra o setor privado para vencer entraves e evitar a burocracias técnicas e cadastrais
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) Márcio Elias Rosa participou nesta quarta-feira (24) do programa "Bom Dia, Ministro" , transmitido pelo Canal GOV, e respondeu perguntas sobre temas que rodeiam a pasta. O iG participou da entrevista que se concentrou temas da pasta como aportes para o plano Nova Indústria Brasil, Move Brasil e os pedidos da nova fase do crédito do Plano Brasil Soberano.
Recentemente o governo federal oficializou um novo subsídeo de R$ 140 bilhões para o plano Nova Indústria Brasil (NIB), totalizando R$ 750 bilhões em recursos para o setor. Porém, a grande dificuldade da política industrial brasileira permanece em diminuir a distância entre os anúncios oficiais do governo em investimentos e o recebimento efetivo do dinheiro na outra ponta, às linhas de produção.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que o ritmo da liberação do crédito depende de uma sistema complexo que envolve uma cadeia de "agentes": bancos públicos, agências de fomento e, sobretudo, da capacidade do próprio setor produtivo de apresentar projetos realizáveis.
Segundo Márcio Elias Rosa, a soma bilionária anunciada corresponde a quantidade de acessos possíveis a financiamentos, e não representa um gasto direto dos cofres públicos. Atualmente, o plano Nova Indústria já tem cerca de R$ 709 bilhões já contratado s do todo investido até hoje. Contudo, o ministro alerta que o fato do aporte estar contratado pelas empresas não significa o mesmo foi sacado e utilizado totalmente.
Para o chefe do ministério, o ritmo das autorizações exige que todos os envolvidos cumpram os seus papéis:
O ministro ressaltou ainda que o acesso se choca na burocracia técnica e cadastral: "Não basta ser objetivamente elegível, é preciso ser subjetivamente elegível, que não tenha problemas para acessar a linha de crédito".
A estratégia do Executivo tem como base utilizar o dinheiro público como um acelerador de investimentos privados. Das seis missões que integram a Nova Indústria Brasil, quatro delas tem como maior investidor o setor privado, sustentado pela confiabilidade a longo prazo na política industrial.
O ministro ressaltou que um exemplo forte disso pode ser visto na prático no setor automotivo e de autopeças, que fez anúncio de R$ 190 bilhões em investimentos, estimulados pelo programa Mover, sob tutela e liderança da pasta.
Márcio Elias explicou que esse "tipo de relacionamento" de governo federal com o setor privado diminui a relação dependente e exclusiva dos repasses públicos, o que acaba por minar o risco e acelera a modernização tecnológica da indústria nacional por meio de instituições como Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), Caixa Econômica Federal (CEF), Banco do Brasil (BB), dentre outras.
Paralelamente aos subsídios robustos do governo, continua no centro das atenções o reflexo direto no bolso do trabalhador e a expansão das vagas de emprego registradas em carteira . O ministro levantou dados sobre o mercado de trabalho nacional e afirmou que "passamos por índices históricas", batendo marcas inferiores a 6% no índice de desemprego, somados a c erca 105 milhões de pessoas que trabalham formalmente.
O chefe do desenvolvimento e da indústria do governo federal não estabeleceu estimativas sobre quantidade de novas vagas abertas no setor até dezembro de 2026, mas ressaltou uma perspectiva de crescimento contínuo dado os investimentos no setor.
O ministro finalizou afirmando que está muito otimista com os indicadores sociais do país em marcas "muito favoráveis", e apontou ainda os indicadores econômicos estão "extremamente" consolidados o que indica fortemente uma "perspectiva boa de futuro".


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