Técnico dá espaço a jovens, em convocação "conjunta" com técnicos da sub-20 e sub-17
A convocação de Carlo Ancelotti que abre o novo ciclo da seleção brasileira tem a ver com outros projetos mais amplos da CBF. Especialmente a seleção olímpica e o acompanhamento de jogadores na base.
A lista para os amistosos contra Austrália e Índia pode ser separada em algumas camadas.
Há a espinha dorsal remanescente da Copa 2026, a busca por novidade em posições carentes (laterais e goleiros) e uma tentativa de renovação no meio-campo, algo que abrange também os planos pensando no projeto olímpico para Los Angeles-2028.
Isso ajuda a entender por que estreantes como os zagueiros Arthur Dias e Jair, além dos meio-campistas Breno Bidon e Gabriel Bontempo foram chamados. O goleiro Otávio é outro jovem com idade olímpica.
A lista foi montada considerando conversas nos bastidores da seleção que envolveram os técnicos da sub-20, Paulo Victor Gomes, e sub-17, Dudu Patetuci.
Será Paulo Victor o responsável por comandar a seleção olímpica pensando na vaga para 2028. Na edição mais recente, em Paris, o futebol masculino não conseguiu disputar o torneio.
As convocações pensando na Olimpíada vão começar ano que vem.
Na perspectiva do que é responsabilidade direta de Ancelotti, a CBF tenta achar nomes que encorpem o projeto para a Copa de 2030, mas também para a Copa América-2028. A Argentina venceu as últimas duas edições do torneio continental, e o Brasil vai tentar recuperar a hegemonia na América do Sul.
O Brasil bebeu da fonte de seleções olímpicas passadas. Mais notadamente quando os ouros vieram, entre as Copas de 2018 e 2022. Só que essa transição não resultou em hexa.
A Espanha, por sua vez, aproveitou até o téncico da seleção de Tóquio. Luiz De La Fuente comandou os espanhóis no título da Copa de 2026. Doze jogadores que disputaram os Jogos Olímpicos em 2021 e 2024 viraram campeões mundiais.
A CBF sabe e reconhece que a formação desses jogadores está muito atrelada aos clubes. Mas quer mudar o jeito com o qual acompanha a evolução dos talentos na base.
"Às vezes, o objetivo do clube não é o objetivo da Seleção. Temos jogadores que pensamos que vão representar o futuro da seleção e eles não estão jogando, temos que acompanhar esses jogadores, se eles não jogam, temos que dar a oportunidade de eles jogarem e progredirem", disse Ancelotti, que ainda explicou mais sobre essa diferença de objetivos entre clube e seleção:
"Eu acho que, com jogadores que podem ser muito importantes para o futuro da seleção, a CBF tem que cuidar dessa progressão. Não podemos esperar que o clube vá colocar um jogador para jogar. Temos que acompanhar essa evolução chamando o jogador e dar a ele a oportunidade de jogar. É isso o que vamos fazer".
Ao mesmo tempo, Rodrigo Caetano já avisou, em entrevista ao UOL, que fará chegar aos clubes formadores o perfil de jogador desejado para a seleção.
As primeiras chances serão nos jogos contra Austrália, dias 25 e 29 de setembro, e Índia, em 3 de outubro. Ainda neste ano, o Brasil vai encarar Japão e Singapura, nos dias 14 e 17 de novembro.
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