Dados apontam avanço lento na ocupação de cadeiras legislativas
Dados apontam avanço lento na ocupação de cadeiras legislativas
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
21.jun.2026 (domingo) - 9h00 Siga o Poder360 no Google
O número de mulheres que disputam vagas para a Câmara dos Deputados cresceu quase 10 vezes entre 1998 e 2022, mas não houve avanço proporcional na ocupação de cadeiras no Legislativo. O total de candidatas à Câmara saltou de 358, em 1998, para 3.668, em 2022, um aumento de aproximadamente 925%. No mesmo período, o número de deputadas federais eleitas passou de 29 para 90, alta de 210%.
Os dados estão no Portal da Classe Política, lançado na última 3ª feira (16.mun.2026) pelo INCT-ReDem (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática), da UFPR (Universidade Federal do Paraná).
Nas eleições de 2022, as mulheres conquistaram 17,5% das cadeiras da Câmara dos Deputados e 17,8% das vagas nas assembleias estaduais, os maiores percentuais da série histórica analisada, mas ainda abaixo de 1/5 da representação parlamentar total.
Nas assembleias legislativas estaduais, o padrão é semelhante. Embora historicamente apresentassem maior participação feminina do que na Câmara dos Deputados, atualmente os 2 níveis convergem para cerca de 18% de representação de mulheres. O percentual é distante tanto da paridade com os homens (50%) quanto do piso de 30% exigido para as candidaturas.
Segundo o estudo, parte do crescimento das candidaturas é explicada pela Lei das Cotas de Gênero (Lei 9.504 de 1997) e a Minirreforma Eleitoral (Lei nº 12.034 de 2009), que estabeleceu reserva mínima de 30% das candidaturas proporcionais para cada gênero. Segundo os pesquisadores, no entanto, a legislação não garantiu condições equivalentes de competição.
Para o cientista político Nilton Sainz, pesquisador da UFPR responsável pelo Portal da Classe Política, os principais motivos para as mulheres não ocuparem mais vagas no Legislativo têm relação com mecanismos de poder dos próprios partidos políticos.
Na avaliação dos pesquisadores, a baixa representação feminina também produz impactos sobre a agenda pública e reduz o debate sobre temas essenciais para as mulheres nos espaços de decisão.
Além das informações sobre gênero, o Portal da Classe Política transforma outros dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em indicadores visuais, o que permite análise de candidaturas, patrimônio e financiamento de campanhas de 14 eleições (de 1998 a 2024).
Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 16 de junho de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.
