A literatura brasileira dos últimos 20 anos ampliou a presença de mulheres, negros, indígenas e autores LGBTQIA+, enquanto passou a representar novas relações entre as cidades e o interior. Neste ensaio, Enio Vieira examina essas transformações a partir da pr…

A literatura brasileira teve uma mutação nos últimos 20 anos. Notadamente se percebe a maior produção de obras literárias de autores e autoras negros, indígenas, LGBTQIA+ e, principalmente, mulheres. Eles e elas das minorias entraram em definitivo no jogo, antes comandado por homens brancos de classe média, e estão mudando a cara da cena cultural. Houve, porém, uma reação a esse fenômeno que muda os eixos. Uns saudaram o passo dado rumo à inclusão, outros apelaram para queixas sobre os efeitos negativos da transposição da lógica identitária para o campo literário.

Noves fora a competição existente em qualquer campo social, o fato é que a literatura acompanhou a transformação maior do país. Não se sabe se a mudança foi boa ou ruim; isso são outros quinhentos, mas tal reconhecimento de que as coisas se movem é elucidativo. Numa característica bem brasileira, a produção literária ainda é um ponto de observação privilegiado do país, e diria até de antecipação do que ainda está em estado embrionário antes de se manifestar na sociedade.