O Ueno Bank saiu de símbolo da modernização financeira paraguaia a epicentro da maior crise política do país em anos. Em menos de uma semana, a intervenção na instituição levou à renúncia do presidente Santiago Peña. The post O colapso do Ueno Bank: crise-relâmpago abala o Paraguai, derruba presidente e ainda parece longe do fim appeared first on Seu Dinheiro.

O Ueno Bank saiu de símbolo da modernização financeira paraguaia a epicentro da maior crise política do país em anos. Em menos de uma semana, a intervenção na instituição levou à renúncia do presidente Santiago Peña.

Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai. - Imagem: Ricardo Stuckert/PR

A crise que acaba de derrubar o presidente do Paraguai, Santiago Peña, começou quando milhares de clientes do Ueno Bank ficaram sem acesso ao próprio dinheiro. A restrição às operações provocou revolta, levou manifestantes às ruas e aumentou a pressão sobre as autoridades. Dias depois, veio a intervenção do Banco Central do Paraguai.

O problema é que a crise já havia deixado de ser apenas bancária. As dificuldades do Ueno Bank abriram espaço para acusações de conflito de interesses envolvendo integrantes do alto escalão do governo e acabaram desencadeando uma crise política. Em menos de uma semana, a turbulência culminou na renúncia de Peña.

Até poucos dias atrás, o Ueno Bank era um dos maiores símbolos da transformação do sistema financeiro paraguaio. A instituição acumulava cerca de 3 milhões de clientes em um país com pouco mais de 6 milhões de habitantes, patrocinava eventos esportivos e se apresentava como uma vitrine da modernização bancária local.

Mas, por trás do crescimento acelerado, os problemas vinham se acumulando havia meses.

Reportagens do jornal ABC Color indicam que órgãos de supervisão registraram ao menos dez alertas e relatórios internos desde 2025 sobre irregularidades na instituição.

Entre as preocupações estavam operações com empresas ligadas ao próprio grupo controlador, concessão de crédito considerada inadequada e dúvidas sobre a real situação patrimonial do banco.

Os sinais de alerta, porém, permaneceram em segundo plano. Pelo menos até esta semana.

Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank depois de concluir que a instituição já não atendia às exigências mínimas para continuar operando normalmente.

O diagnóstico das autoridades indicava uma situação financeira muito mais frágil do que o mercado imaginava.

A notícia caiu como uma bomba.

Enquanto milhares de clientes tentavam entender o que aconteceria com seu dinheiro, cresciam os questionamentos sobre a origem dos problemas do banco e a atuação das autoridades responsáveis por fiscalizá-lo.

Foi então que a crise atingiu o governo.

A oposição passou a questionar a relação entre o governo e o conglomerado financeiro. O principal motivo era o histórico do presidente Santiago Peña. Ele foi acionista da empresa que controla o Ueno Bank até o ano passado, informa a mídia local.

As críticas ganharam força com as revelações sobre o volume de recursos de entidades públicas administrados na instituição durante seu governo.

Em questão de horas, a crise bancária virou crise política.

A primeira consequência direta surgiu no próprio sistema financeiro.

Também na terça-feira, o presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia. A saída ampliou ainda mais a pressão sobre as autoridades. Antes de assumir o comando do Banco Central, Carvallo havia presidido o próprio Ueno.

No dia seguinte, a oposição elevou ainda mais o tom.

Deputados protocolaram um pedido de julgamento político contra Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana, sob acusações relacionadas à condução do caso e aos possíveis conflitos de interesse envolvendo o grupo financeiro.