Visto de longe, o gelo do Ártico parece formar uma superfície contínua. Entretanto, colisões entre enormes blocos flutuantes ajudam a explicar movimentos qu...

Estudo revela como colisões entre blocos flutuantes dissipam energia e explicam movimentos coletivos importantes para os modelos climáticos

Colisões entre placas de gelo marinho ajudam a controlar sua dispersão pelo Oceano Ártico Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR

Visto de longe, o gelo do Ártico parece formar uma superfície contínua. Entretanto, colisões entre enormes blocos flutuantes ajudam a explicar movimentos que o vento, isoladamente, não consegue reproduzir. Um estudo publicado em setembro de 2026 demonstrou que essas interações dissipam energia e controlam a dispersão do gelo, oferecendo novas ferramentas para investigar mudanças no oceano polar.

A cobertura marinha ártica não é composta exclusivamente por uma placa sólida. Grande parte dela se divide em blocos conhecidos como floes, cujas dimensões variam de poucos metros a vários quilômetros. Essas peças se deslocam, giram e encontram outras placas continuamente.

Ventos e correntes oceânicas impulsionam os movimentos, mas nem sempre explicam as velocidades observadas. Em determinadas regiões, os blocos se espalham mais lentamente do que modelos simplificados preveem, indicando a existência de interações mecânicas importantes.

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Imagine milhares de peças de um quebra-cabeça flutuando sobre água em movimento. Quando o vento empurra uma delas, o deslocamento pode terminar rapidamente em uma colisão. O impacto transfere parte do movimento às peças vizinhas e dissipa outra parcela da energia.

Em campos densamente ocupados, esses encontros acontecem muitas vezes antes de ocorrer uma mudança significativa na direção do vento. A sucessão de impactos modifica o movimento coletivo e reduz a distância que cada placa consegue percorrer livremente.

A pesquisa identificou cinco efeitos importantes:

O vídeo da NASA Goddard sobre a redução do gelo marinho ártico em 2020 apresenta visualizações por satélite da cobertura polar e ajuda a compreender sua extensão e transformação. Não demonstra diretamente os impactos microscópicos modelados na pesquisa.

Os pesquisadores trataram os blocos como componentes de um material granular, semelhante a grãos que se movimentam dentro de um recipiente. A diferença é que as placas flutuam sobre o oceano e recebem forças variáveis da atmosfera.

Essa abordagem permite estudar o comportamento coletivo sem calcular individualmente todos os detalhes de cada choque. O modelo também considera a resistência exercida pela água, fundamental para representar movimentos reais em ambientes oceânicos.

O estudo publicado na revista Physical Review Letters, em 10 de setembro de 2026, foi desenvolvido por Bryan Shaddy, P. Alex Greaney e Bhargav Rallabandi, pesquisadores associados às universidades do Sul da Califórnia e da Califórnia em Riverside.

A equipe construiu simulações alimentadas por medições locais de vento e propriedades do gelo. Depois, comparou os resultados com observações do Estreito de Fram, passagem entre a Groenlândia e o arquipélago de Svalbard, por onde grandes quantidades de gelo seguem em direção ao Atlântico.

O modelo conseguiu reproduzir três características anteriormente difíceis de explicar: a velocidade de dispersão das placas, a distribuição das velocidades individuais e as variações do movimento ao longo de intervalos que vão de horas a dias.

A equipe também utilizou uma teoria cinética baseada na equação de Boltzmann para compreender as interações. Os resultados mostraram que processos locais relativamente simples podem produzir padrões complexos em escalas muito maiores.

Os modelos climáticos precisam representar como o gelo se desloca, se concentra e alcança regiões oceânicas mais quentes. Entretanto, acompanhar individualmente milhões de placas é computacionalmente difícil. Uma descrição baseada em suas interações pode melhorar essas estimativas.

O estudo não prevê diretamente quanto gelo desaparecerá nas próximas décadas. Seus resultados também não representam todas as condições possíveis, especialmente coberturas contínuas e fortemente compactadas. Ainda assim, a descoberta estabelece uma ligação física entre pequenas colisões e movimentos de grande escala, permitindo investigar como mudanças no tamanho e na concentração das placas afetam o transporte polar.