Economistas comentam que cerca de 4 bilhões de dólares em exportações aos Estados Unidos podem ser comprometidas
Priorizar nos meus resultados Google As tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros devem atingir cerca de 23,8% das exportações do Brasil para o mercado americano no primeiro semestre de 2026, o equivalente a aproximadamente 4,15 bilhões de dólares, segundo economistas ouvidos por VEJA Negócios nesta quinta-feira, 16.
Na quarta-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a aplicação das sobretaxas, que entram em vigor em 22 de julho. A decisão foi anunciada após semanas de negociações e preservou uma parcela relevante das exportações brasileiras. Veja a lista completa nesta reportagem.
Segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, os produtos atingidos representam 23,8% de tudo o que o Brasil exportou aos Estados Unidos no primeiro semestre deste ano, o equivalente a cerca de 4,15 bilhões de dólares.
Para Carlos Eduardo Oliveira Jr., conselheiro do Corecon-SP, as perdas anuais podem ser ainda maiores quando se considera o fluxo de exportações registrado antes do início do tarifaço.
As estimativas variam, mas apontam para uma redução de até 52 bilhões de reais nas exportações brasileiras. “Ainda assim, parte dessa perda pode ser compensada pela diversificação para outros mercados, como ocorreu em episódios anteriores”, afirma Oliveira.
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, avalia que os setores mais afetados tendem a ser etanol, açúcar, calçados e vestuário.
“São segmentos com elevada dependência do mercado americano e menor capacidade de redirecionar suas vendas para outros destinos no curto prazo”, diz.
Apesar do impacto sobre empresas específicas, o efeito na economia brasileira tende a ser mais limitado.
Segundo Trevisan, a perda estimada para o Produto Interno Bruto (PIB) varia entre 0,2 e 0,6 ponto percentual, já que todas as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos representam cerca de 2% do PIB.
Na avaliação dos economistas, o principal caminho para o governo brasileiro continua sendo a negociação diplomática. Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade sobre produtos estratégicos para a indústria ou para o consumo interno pode elevar custos e pressionar a inflação.
“Caso a retaliação incida sobre produtos relevantes para a cadeia produtiva brasileira ou sobre bens de consumo importados, haverá aumento de custos para empresas e consumidores. O impacto, porém, dependerá dos produtos atingidos e da abrangência das medidas adotadas”, afirma.
Carlos Eduardo Oliveira Jr, do Corecon, reconhece esse risco, mas considera que ele não deve ser superestimado. Segundo o economista, se o Brasil optar por uma aplicação seletiva das tarifas, o efeito sobre a inflação tende a ser limitado.
“O objetivo da Lei da Reciprocidade é aumentar o poder de negociação do país, e não necessariamente promover uma escalada comercial que prejudique a economia brasileira”, diz.
Na avaliação de Oliveira, o cenário mais provável continua sendo a continuidade das negociações entre Brasília e Washington, com possibilidade de ampliação da lista de exceções, acordos setoriais e eventuais revisões das medidas.
“Como Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação comercial relevante para ambos os lados, uma solução negociada continua sendo uma possibilidade concreta”, conclui.
Embora o impacto sobre o PIB brasileiro deva ser relativamente limitado, os efeitos podem ser significativos para os setores diretamente atingidos pelas tarifas. Por isso, os economistas defendem que o governo priorize uma negociação técnica e cautelosa, já que os cerca de 4,15 bilhões de dólares potencialmente afetados sustentam investimentos, cadeias produtivas e milhares de empregos.



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