Em meio ao debate sobre inteligência artificial (IA), o historiador econômico Joel Mokyr, vencedor do Nobel de Economia de 2025, afirmou nesta segunda-feira (24), no Febraban Tech, que os maiores riscos ao progresso tecnológico não vêm da tecnologia em si, ma…
Joel Mokyr foi um dos vencedores do prêmio Nobel de economia no ano passado, em função das suas pesquisas sobre como a inovação tecnológica e o progresso do conhecimento impulsionam o crescimento econômico sustentado ao longo do tempo. Em palestra na Febraban Tech, ele mostrou uma visão bastante otimista sobre a inteligência artificial (IA), ao mesmo tempo afirmando que o grande risco é justamente o fator humano, não a tecnologia.
Segundo ele, os maiores riscos ao progresso tecnológico vêm da forma como as sociedades lidam com a tecnologia. “Os perigos no mundo de hoje são muitos, e o progresso tecnológico não é um deles. Se você está procurando o inimigo, somos nós”, disse. O economista apontou o populismo como uma ameaça ao progresso. Segundo ele, esse tipo de movimento tende a desvalorizar intelectuais e, muitas vezes, é combinado a regimes pouco favoráveis à pesquisa.
Mokyr também citou a xenofobia como obstáculo à inovação. Para ele, imigrantes têm papel relevante no avanço tecnológico e na formação de empresas inovadoras. O economista afirmou que movimentos anti-imigração se apoiam menos em interesses econômicos reais e mais em desinformação e preconceito. Outro ponto destacado foi a disseminação de informações falsas e teorias conspiratórias. Mokyr afirmou que falhas no “mercado de ideias” podem levar à polarização e à perda de confiança em instituições.
Para ele, a IA é a “mãe de todas” as tecnologias de propósito geral e a melhor assistente de pesquisa já inventada. Ele brincou que já teve muitos assistentes ao longo das décadas, e que eles têm de tirar licença, reclamam, faltam ao trabalho e não gostam de críticas. Já a IA está disponível 24 horas por dia, não se cansa e é educada. “A IA é a tecnologia que leva a ciência além. É a melhor ferramenta, que vai levar a avanços radicais na ciência”, disse. “É uma maneira de difundir informações. E isso eu acho que é algo realmente muito importante, porque o conhecimento é a fonte do progresso econômico.”
Ele também disse que a ideia de que a IA de alguma forma controlará a humanidade e que todos seremos escravos dela “é essencialmente um absurdo distópico”. “Não vai acontecer. Quem controla a IA somos nós. Se você não a controlar corretamente, ela cometerá um erro. Se você dirige seu carro e comete um erro ao controlá-lo, você vai bater em uma árvore. A culpa não é do carro. A culpa é sua.”




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