Guga Chcara: Irã: Regime militar ou dos aiatolás?

Novas regras – A ação iraniana visa deixar claro que o regime pretende controlar o Estreito de Ormuz, sem retornar ao status quo anterior. Quer exercer poder o tempo todo, deixando claro que pode fechar a passagem quando quiser. Todo o trânsito de navios precisará respeitar as regras impostas por Teerã, na visão do regime. Em caso de desrespeito, poderá haver consequências.

Rubio – O navio tentava atravessar Ormuz em uma rota alternativa, mais próxima da costa de Omã, como outras embarcações. Talvez o regime iraniano não se importasse. O problema é que o secretário de Estado, Marco Rubio, em viagem a países árabes aliados dos EUA, havia arquitetado esta opção de travessia. O regime de Teerã ficou irritado, já que a passagem mais distante de sua costa dificulta o controle.

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Pedágio – Os navios que pretenderem atravessar Ormuz precisarão coordenar com o Irã, de acordo com o regime de Teerã. O objetivo talvez seja mesmo cobrar uma espécie de pedágio em algum momento no futuro — ao longo dos próximos 60 dias, o país se comprometeu a não cobrar de nenhuma embarcação. Mas, depois deste período, não está clara qual será a norma vigente.

Leis internacionais – O pedágio no Estreito de Ormuz seria uma clara violação das leis internacionais. Navios civis precisam ter direito à navegação. Além disso, a passagem não passa por dentro do território iraniano, e sim entre o Irã e Omã. Seria como o Estreito de Gibraltar, que separa a Espanha e o Marrocos, mas não como os Estreitos de Bósforo e de Dardanelos, que atravessam a Turquia, ligando o Mar Negro e o Mar Mediterrâneo. Mas, mesmo neste caso, os turcos precisam garantir o direito de navegação a embarcações civis.

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Localização – O poder da geografia, como escrevi aqui antes, é extremamente difícil de ser retirado. O Irã sempre terá um território gigantesco nas margens de Ormuz. Obviamente, os EUA não têm disposição para uma invasão terrestre com objetivo de ocupar o território e garantir a segurança da navegação. Nesse caso, a possibilidade de fracasso seria enorme. Basta lembrar do que aconteceu no Iraque e no Afeganistão.

Futuro – O regime iraniano, no entanto, pode estar forçando a mão. Afinal, embora mantenha a capacidade de fechar Ormuz, pode ver seus portos mais uma vez bloqueados pelos EUA. O custo econômico para os iranianos é enorme. O governo Trump pode também suspender a retirada temporária das sanções. Teerã estaria disposta a pagar esse preço elevado neste momento, precisando se reconstruir da guerra? Saberemos a resposta em breve. Por enquanto, as negociações entre os dois países prosseguem.