Priorizar nos meus resultados Google

A semana reserva importantes indicadores econômicos globais e nacionais, como inflação nos EUA, PIB da China e vendas no varejo. Contudo, a maior preocupação do mercado é o prazo final da MP do Frete e o risco de uma nova paralisação de caminhoneiros, que pode gerar alta volatilidade.

Este resumo foi útil?

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A agenda econômica dessa semana concentra indicadores relevantes. Na terça-feira, o Conselho Nacional de Política Energética decide sobre o aumento da mistura de etanol na gasolina, enquanto os Estados Unidos divulgam a inflação ao consumidor (CPI).

Na quarta-feira, saem a inflação ao produtor (PPI) nos EUA e o Produto Interno Bruto (PIB) da China, dados que podem influenciar o humor dos mercados globais.

A quinta-feira concentra dois eventos importantes para o Brasil: a divulgação das vendas no varejo e o prazo final para votação da MP do Frete, tema que pode definir os rumos da mobilização dos caminhoneiros.

Na sexta-feira, o mercado acompanha o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, além do início do recesso parlamentar no Congresso. Com tantos fatores em jogo, a expectativa é de uma semana marcada por volatilidade e atenção redobrada aos desdobramentos políticos e econômicos.

Rodrigo Moliterno, sócio da Veedha Investimentos e especialista em renda variável, avalia que a principal preocupação do mercado nesta semana não está apenas nos indicadores econômicos, mas nas consequências de uma nova paralisação dos caminhoneiros.

Para ele, a combinação entre a mobilização da categoria e o prazo final para votação da Medida Provisória (MP) do Frete cria um ambiente de cautela para investidores e empresas.

Na avaliação do especialista, a greve é a “pimenta” da semana porque desperta lembranças da paralisação de 2018, que provocou desabastecimento, interrompeu cadeias produtivas e aumentou a volatilidade dos mercados.

Moliterno ressalta que, por enquanto, os ativos financeiros ainda não refletem esse risco de forma intensa, mas alerta que o cenário pode mudar rapidamente dependendo da condução política do tema.

“Se a gente fizer um déjà vu de como foi a última greve dos caminhoneiros em 2028, o que aconteceu com os mercados, o quão nervosos eles ficaram”, observou.

O especialista explica que o mercado segue em compasso de espera porque a MP do Frete perde a validade na quinta-feira, caso não seja votada pelo Senado.

Segundo ele, essa definição será determinante para medir o potencial de impacto sobre a economia. “Acho que ainda não está refletindo.

Ainda está de forma talvez passiva, mas óbvio que vai depender se vai entrar ou não para votação, uma vez que ela caduca na quinta-feira”, afirmou.

A preocupação se justifica pela importância do transporte rodoviário para o abastecimento e a logística do país.

Além do cenário doméstico, a semana também será influenciada pelo ambiente internacional. Moliterno destaca que a escalada das tensões no Oriente Médio voltou a elevar a aversão ao risco dos investidores.

O fechamento do Estreito de Ormuz reacendeu preocupações com o fornecimento global de petróleo, fator que pode pressionar os preços da energia e, consequentemente, a inflação em diversos países. Para a Petrobras, no entanto, a valorização da commodity tende a ser positiva por ampliar a receita com exportações.

No Brasil, outro ponto acompanhado pelo mercado é a trajetória da inflação. Com a divulgação de indicadores mais favoráveis recentemente, aumentaram as apostas de que o Banco Central possa iniciar um ciclo de redução da taxa Selic já na reunião de agosto.

Segundo Moliterno, essa expectativa ganhou força após a leitura mais comportada do IPCA, ampliando o otimismo em relação ao cenário de juros nos próximos meses.