Plantas são seres estacionários, mas isso não quer dizer que sejam passivos. "Não é como se qualquer organismo pudesse fazer o que quiser com ela. Ela está parada, mas não é indefesa", diz Marcelo Campos, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Leia mais (06/24/2026 - 10h00)
O que pensam os jovens cientistas no Brasil? Por Instituto Serrapilheira
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24.jun.2026 às 10h00 Atualizado: 24.jun.2026 às 13h29
Meghie Rodrigues Plantas são seres estacionários, mas isso não quer dizer que sejam passivos. "Não é como se qualquer organismo pudesse fazer o que quiser com ela. Ela está parada, mas não é indefesa", diz Marcelo Campos, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
"Plantas também têm um sistema imune. Nós é que não percebemos", conta o biólogo, que coordena um laboratório que investiga os mecanismos de defesa do reino vegetal.
Tanto não percebemos que apreciamos substâncias que, em princípio, serviriam para nos manter longe de algumas plantas. O sabor do orégano, o ardor da pimenta e a palpitação causada pelo café e chocolate derivam de compostos que, em grandes quantidades, podem até nos matar.
Um dos responsáveis pela ardência característica das pimentas é a capsaicina, toxina produzida pela planta como mecanismo de defesa contra herbívoros. Ao entrar em contato com a boca, a capsaicina ativa receptores nervosos responsáveis pela percepção de calor e dor, fazendo o cérebro acreditar que estamos consumindo algo extremamente quente.
Em concentrações elevadas, ela pode causar intensa irritação das mucosas, desconforto gastrointestinal e lesões severas. Ainda assim, as pequenas quantidades utilizadas como tempero são seguras.
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Nem todo o arsenal de defesa das plantas serve para manter humanos à distância. Na maioria das vezes, elas só não querem ser incomodadas (ou comidas) por insetos. As piretrinas, inseticidas produzidos por crisântemos, são um exemplo: altamente tóxicas para insetos, são inócuas para humanos e, por isso, muito usadas em inseticidas domésticos.
Alguns compostos, por outro lado, são tóxicos para animais pequenos, mas não para insetos. A borboleta monarca se alimenta de uma planta que é inofensiva para ela, mas tóxica para aves que, quando comem essa borboleta, se intoxicam como se tivessem ingerido a planta.
De início, tudo se parece um pouco com nosso próprio sistema imune. Se um inseto nos pica ou sofremos lesões na pele, fragmentos das células danificadas e outras moléculas liberadas pelos tecidos, que acabam entram na corrente sanguínea, avisam o corpo que algo está errado. Esses sinais são reconhecidos por células do sistema imune, que produzem substâncias inflamatórias capazes de recrutar células de defesa para o local do ferimento e iniciar uma resposta.
No caso da planta, a quebra de células da epiderme basta para despertar sua defesa. Mas, em vez de usar células do sistema imune para soar o alerta, as plantas liberam um composto de cheiro adocicado para avisar seu sistema imune de que algo não vai bem: o metil jasmonato, ou ácido jasmônico. E ela não se defende sozinha.
"O metil jasmonato no ar —que para nós é apenas um leve cheiro de jasmim— serve de alerta de perigo para plantas ao redor. Assim, as vizinhas já ficam preparadas caso sejam atacadas", conta o biólogo.


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