Campinas registra alta na população 50+ e impulsiona economia prateada O envelhecimento dos habitantes em Campinas (SP) tem impulsionado a chamada "economia prateada", que reúne atividades econômicas, produtos e serviços voltados às pessoas com 50 anos ou mai…
Por EPTV 1 e g1 Campinas e Região
04/09/2026 14h51 Atualizado 04/09/2026
O envelhecimento da população em Campinas (SP) impulsiona a economia prateada. O fenômeno transforma o mercado de trabalho local e o consumo.
Dados do Censo 2022 mostram que 31% dos moradores de Campinas têm 50 anos ou mais. A proporção supera as médias paulista e nacional.
No comércio de Campinas, a fatia de trabalhadores com mais de 50 anos subiu de 14% para 17,5% entre 2022 e 2025. São quase 4 mil novos funcionários.
A população acima de 50 anos na cidade cresceu de 255,7 mil em 2010 para 353 mil em 2022. Essa mudança exige adaptação dos comerciantes.
Pesquisa da Data8 revela que brasileiros com 50 anos ou mais movimentam R$ 1,8 trilhão por ano. O valor pode atingir R$ 3,8 trilhões até 2044.
Campinas registra alta na população 50+ e impulsiona economia prateada
O envelhecimento dos habitantes em Campinas (SP) tem impulsionado a chamada "economia prateada", que reúne atividades econômicas, produtos e serviços voltados às pessoas com 50 anos ou mais. O conceito surgiu no Japão, no fim dos anos 2000, quando a população idosa se tornou predominante.
Essa mudança tem transformado tanto o mercado de trabalho, que tem mantido ou contratado mais funcionários com idade avançada, quanto o perfil de consumo, o que tem exigido uma adaptação dos comerciantes.
Segundo dados do Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 31% da população de Campinas possui 50 anos ou mais. O percentual supera o registrado no estado de São Paulo (29,8%) e no Brasil (27,7%).
Raquel trabalha como consulta de lojas em um shopping — Foto: Reprodução/EPTV
Um levantamento do Sindivarejista, com base em dados do Ministério do Trabalho, apontou que a proporção de trabalhadores com 50 anos ou mais no comércio de Campinas subiu de 14% para 17,5% entre 2022 e 2025. O aumento representa quase 4 mil novos funcionários no setor.
"É importante descrever que não houve crescimento apenas da população 50+, do lado de fora do balcão, do consumidor. Nós percebemos que a população também mais madura está dentro do estabelecimento comercial, ou seja, do lado de dentro do balcão", ponderou o economista Jaime Vasconcelos, do Sindicato dos Varejistas (Sindivarejista) de Campinas e Região.
A consultora de lojas Raquel Aburadi, de 62 anos, é um exemplo dessa presença no mercado. Há oito anos atuando no mesmo shopping, ela atribui seu sucesso profissional à seriedade e ao compromisso.
"Isso é muito bacana, essa credibilidade, esse respeito mesmo. Acho que é uma seriedade. Tenho um compromisso com a palavra. A minha vitalidade, a minha cabeça, nossa, eu tenho muito prazer. Até porque o trabalho, para mim, é uma fonte prazerosa", comentou.
No setor de supermercados, a presença da economia prateada se destaca em diversas áreas, desde a administração até o atendimento direto. O empacotador Francisco da Silva Souza, de 58 anos, trabalha no mesmo local há 12 anos e considera o emprego sua segunda casa.
Para ele, manter-se ativo no mercado significa saúde, vida e independência para pagar as contas e consumir. Questionado sobre até quando pretende continuar trabalhando, a resposta reflete a disposição: "Até quando Deus quiser. Se depender de mim, vou até 100".
Jaime atua como empacotador em um supermercado — Foto: Reprodução/EPTV
Já a mudança no consumo pode ser medida pelo aumento da população com mais de 50 anos na cidade. Em 2010, Campinas possuía 255,7 mil moradores nessa faixa de idade; em 2022, o número saltou para 353 mil habitantes.




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