Durante anos, a Apple repetiu que telas sensíveis ao toque não faziam sentido em computadores. Agora lançou um MacBook Pro touchscreen (com tela OLED). Ao me...
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Durante anos, a Apple repetiu que telas sensíveis ao toque não faziam sentido em computadores. Agora lançou um MacBook Pro touchscreen (com tela OLED). Ao mesmo tempo, deu ao iPad mini, seu menor tablet, uma tela avançada e um dos processadores mais poderosos de seu portfólio.
Depois de acompanhar de perto o evento "Pro and Tell", em Los Angeles, a sensação que ficou é que a Apple segue menos preocupada em criar uma nova categoria de tecnologia e mais disposta a revisar antigas certezas.
O UOL foi o único veículo de jornalismo brasileiro convidado para o evento nos EUA, que reuniu criadores de conteúdo de YouTube, Instagram e TikTok, além de artistas e profissionais criativos. Entre os brasileiros presentes estavam a cantora e ex-BBB Vanessa Lopes e Veigh, um dos principais nomes do trap por aqui.
Ao longo do dia, vimos demonstrações de produção audiovisual com iPhones integrados a equipamentos profissionais e processadas em tempo real no MacBook. Em outra sessão, a estilista Susan Fang e o designer Orelio de Jonghe mostraram como usam o computador para criar peças de roupas e acessórios tridimensionais que depois ganham vida com impressão 3D.
Nada ali parecia algo exclusivo da Apple. A proposta foi outra: reforçar o uso do computador e celular da marca como ferramentas profissionais dentro de fluxos criativos reais.
A atividade mais interessante, porém, foi uma aula prática sobre o MacBook Pro com tela OLED sensível ao toque. No lugar de apenas assistir a uma apresentação, passamos quase 30 minutos aprendendo, ao lado de especialistas da Apple, como o produto pode ser usado na edição de vídeos.
Usar os dedos para navegar pela timeline, selecionar trechos e interagir com elementos do projeto não reinventa esse tipo de trabalho, mas adiciona uma camada de uso que pode fazer sentido para alguns profissionais.
Pena que, para aproveitar esse potencial, é preciso um baita investimento, especialmente considerando o preço do novo MacBook Pro no Brasil, que parte de R$ 34.999.
A impressão que ficou diante dos novos produtos é que a Apple decidiu flexibilizar algumas das próprias convicções.
A empresa que durante anos rejeitou telas sensíveis ao toque no Mac agora as abraça. A que costumava separar com rigor iPads e computadores volta a aproximar os dois mundos, ainda que evite admitir isso explicitamente.
E talvez esse seja um sinal importante da nova fase iniciada pelo novo CEO, John Ternus: uma Apple menos preocupada em provar que sempre esteve certa. Diante de um cenário tecnológico bem competitivo, o foco parece ser aperfeiçoar o que já construiu e está consolidado como produto.
Se isso vai render os próximos grandes sucessos da empresa, ainda é cedo para saber. Mas já representa uma mudança significativa para uma companhia conhecida justamente por raramente voltar atrás.
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