Corpos de animais marinhos mortos costumam aparecer nas praias castigadas pelas tempestades da costa oeste da Irlanda. Mas, em abril de 2026, um grupo de pesquisadores e voluntários que caminhava pelo litoral do condado de Sligo se deparou com uma cena rara: um tubarão-da-Groenlândia morto, uma espécie que nunca havia sido encontrada encalhada naquela região. Leia mais (07/26/2026 - 11h07)
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26.jul.2026 às 11h07
Corpos de animais marinhos mortos costumam aparecer nas praias castigadas pelas tempestades da costa oeste da Irlanda. Mas, em abril de 2026, um grupo de pesquisadores e voluntários que caminhava pelo litoral do condado de Sligo se deparou com uma cena rara: um tubarão-da-Groenlândia morto, uma espécie que nunca havia sido encontrada encalhada naquela região.
Pelo tamanho —cerca de três metros de comprimento—, o animal encontrado nas áreas de maré tinha mais de 150 anos. Ele teria nascido na época da rainha Vitória e do presidente americano Abraham Lincoln, quando navios à vela de três mastros ainda cruzavam os mares e o automóvel sequer havia sido inventado.
Para os padrões de um tubarão-da-Groenlândia, porém, essa idade é considerada relativamente jovem.
"É uma pena. Esse animal levou 150 anos para chegar ao estágio em que poderia se reproduzir, contribuir para a recuperação da população e talvez nem tenha tido essa oportunidade", afirma Emilie De Loose, bióloga marinha do Grupo Irlandês de Baleias e Golfinhos.
O tubarão-da-Groenlândia, o vertebrado mais longevo conhecido no planeta, pode viver cerca de 400 anos.
Alguns que nadam pelos oceanos hoje podem ter sido contemporâneos de Shakespeare quando ainda eram filhotes —embora a duração exata da vida da espécie ainda seja motivo de debate, com estimativas que variam de aproximadamente 300 a 500 anos.
"Todos nós ficamos maravilhados", diz De Loose. "É difícil até imaginar por quanto tempo aquele animal viveu e tudo o que ele pode ter visto."
Apesar da tristeza causada pela morte do tubarão e pelo impacto para a espécie, o encalhe e a necropsia realizada em seguida ofereceram uma oportunidade de lançar luz sobre uma criatura ainda cercada de mistérios.
"Existe algo muito íntimo quando se trabalha com animais mortos, porque você realmente passa a conhecer a espécie", afirma Jasmine Stavenow Jerremalm, doutoranda em ecologia marinha na University College Cork, na Irlanda, que participou da necropsia do tubarão.
"Animais mortos podem nos revelar muitas informações sobre os animais vivos."
O primeiro desafio foi levar o tubarão até um laboratório.
Os tubarões-da-Groenlândia estão entre os maiores do mundo e podem chegar a 5 metros de comprimento. O que foi encontrado na praia pesava mais de 200 quilos.
No local, o grupo cobriu o corpo com algas marinhas para impedir que gaivotas e outros animais o bicarem.
No dia seguinte, em uma operação de resgate coordenada pelo Museu Nacional da Irlanda, um guindaste içou o animal, colocou-o na carroceria de um caminhão e o levou até um laboratório veterinário regional.


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