Minha filha Nora tinha 16 anos quando desapareceu. Não houve uma despedida, uma mensagem deixada no celular ou qualquer sinal de que ela pretendesse ir…
Minha filha Nora tinha 16 anos quando desapareceu. Não houve uma despedida, uma mensagem deixada no celular ou qualquer sinal de que ela pretendesse ir embora por muito tempo. Ela simplesmente se levantou da areia, disse que compraria um sorvete e caminhou em direção ao fim da praia.
Era um lugar cheio. Havia crianças correndo, famílias carregando cadeiras e guarda-sóis, vendedores andando de um lado para outro. Eu a acompanhei com os olhos por alguns segundos e depois voltei a atenção para nossas coisas.
Vinte minutos se passaram.
A toalha de Nora continuava ao lado da minha. As sandálias estavam sobre ela. O celular permanecia dentro da bolsa.
No começo, achei que ela tivesse encontrado alguém conhecido ou parado para conversar. Depois fui até a sorveteria. Ninguém se lembrava dela.
Foi aí que o medo começou.
Salva-vidas procuraram na água. Policiais verificaram banheiros, estacionamentos, hotéis e acessos próximos. Perguntamos a desconhecidos se tinham visto uma adolescente caminhando sozinha.
As câmeras disponíveis não ajudaram. Nenhuma testemunha soube indicar em que direção Nora havia seguido.
Naquele dia, ela vestia uma saída de praia turquesa feita pela minha mãe. Era uma peça simples de algodão, mas havia dois detalhes que a tornavam inconfundível.
Minha mãe tinha bordado as iniciais de Nora na parte interna da bainha. E, durante a viagem, depois que o tecido rasgou ao prender em um pedaço de madeira, ela fez um remendo bem particular: um pequeno sol amarelo costurado à mão.
Nora achou estranho quando viu.
Minha mãe respondeu que, daquele jeito, ninguém teria outra igual. Depois de olhar novamente para o remendo, Nora acabou concordando.
Cerca de quarenta minutos antes de ela desaparecer, eu tinha tirado uma fotografia dela na areia usando aquela roupa.
Durante anos, aquela foto esteve em todo lugar. Foi usada nas buscas, reproduzida em cartazes e exibida quando alguém tentava divulgar o desaparecimento.
Eu conhecia cada detalhe da imagem.
Principalmente aquele pequeno sol amarelo.
As primeiras semanas foram dominadas pelas buscas. Depois vieram os meses. As informações diminuíram, as pessoas voltaram para suas próprias vidas e as possibilidades começaram a se repetir.
Alguém dizia ter visto Nora em uma estação. Outra pessoa jurava que uma jovem parecida trabalhava em determinado supermercado. Às vezes recebíamos mensagens de desconhecidos.
Nenhuma pista nos levava até ela.
Meu marido, Michael, reagiu ficando cada vez mais quieto. Eu fui para o outro extremo. Observava rostos em lugares públicos e prestava atenção a qualquer notícia envolvendo jovens não identificadas.




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