Neurologia explica a ligação direta do nariz com as emoções, enquanto a perfumaria funcional mapeia reações do cérebro

Uma rajada súbita de perfume, o odor de terra molhada antes da chuva ou o aroma de pão recém-assado. Em uma fração de segundo, a mente pode ser transportada para uma cena da infância ou para uma conversa antiga. Esse fenômeno, conhecido como memória olfativa, tem explicação na anatomia do sistema nervoso humano e na forma como o cérebro processa os estímulos do ambiente.

Ao contrário do que ocorre com a visão e a audição — cujos sinais passam primeiro pelo tálamo para triagem e análise racional —, o olfato acessa diretamente as estruturas ligadas às emoções.

De acordo com o neurologista e psicanalista Sérgio Spritzer, criador do Campo de Ciências da Interação Humana, em Porto Alegre, as células receptoras localizadas no nariz conectam-se ao bulbo olfatório — estrutura da base do cérebro que processa os sinais de odores — e seguem diretamente para a amígdala e o hipocampo. Isso quer dizer que o cheiro tem um “caminho expresso” para o cérebro.

“O olfato é o único sentido que não faz esse desvio pelo tálamo. É por isso que o cheiro chega antes da palavra: a pessoa sente primeiro e só depois consegue dizer o que é”, explica Spritzer.

O especialista aponta que o estímulo olfativo raramente resgata um fato isolado, em geral, recupera um contexto completo, associado a pessoas e locais. “O cheiro nos põe de volta numa relação”, acrescenta.

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