OUTRO LADO: Meta diz que edição visa diminuir remoção de conteúdo inofensivo sem prejudicar moderação

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

Edição Impressa Diminuir fonte

Pedro S. Teixeira Flávio Ferreira

A exibição no Instagram de dezenas de vídeos de sexo explícito e outros conteúdos pornográficos acessíveis a menores de idade ocorre após a Meta, dona da rede social, ter afrouxado as restrições contra nudez e publicações de conotação sexual no segundo semestre do ano passado.

A flexibilização ocorreu em meio ao avanço, pelo mundo, de regras de proteção a menores de idade em plataformas, como o ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente) no Brasil.

Mesmo após a Folha ter revelado a onda de vídeos com conteúdo adulto no Instagram e ter apontado à empresa os perfis que podiam ser vistos por contas de menores de 18 anos, no fim de junho, a veiculação de material idêntico continua na plataforma.

Vídeos de conotação sexual publicados por contas desconhecidas do usuário da rede social são, primeiro, recomendados na linha do tempo padrão. Ao clicar na publicação e entrar na sequência de vídeos curtos chamados Reels, aparecem dezenas de vídeos de sexo explícito e até referências de abuso em poucos minutos de circulação. Parte dos vídeos é agregada em hashtags sem sentido, com referências a carros e aeronaves e outros assuntos sem ligação com a temática sexual.

Uma hashtag sobre um filme chinês de aviação tinha mais de cem vídeos pornográficos. Alguns deles acumulavam mais de 1 milhão de visualizações e eram visíveis por uma conta de adolescente acessada pela reportagem.

Outro vídeo verificado, que ficou no ar de março a julho, mostrava um homem ejaculando no rosto de uma jovem que dormia. O material só foi retirado do ar depois que a Folha o enviou ao Instagram.

Desde 2025, o conglomerado da Meta (que também inclui Facebook e WhatsApp) fez mudanças sutis em suas regras da comunidade para dificultar a remoção de conteúdo. A empresa também reforçou o uso de IA na moderação e mudou sua revisão para o estado do Texas, nos Estados Unidos, onde as leis são mais brandas.

Uma edição das regras de 28 de agosto passado flexibilizou o que a Meta considera como "partes do corpo sexualizadas" ao retirar lábios e boca da lista. Também passou a permitir a reprodução de imagens sexualizadas, desde que as pessoas estejam vestidas.

Uma mudança em 30 de outubro foi a necessidade de atestar "intenção de ridicularizar, sexualizar ou expor a identidade da pessoa retratada" para remover conteúdos. De um lado, a medida aumentou a permissividade com conteúdo sexualmente sugestivo desde que não envolva menores de idade e, de outro, diminuiu as chances de haver remoção por engano, segundo advogados consultados pela Folha.

A Meta disse que as edições têm o objetivo de remover conteúdo prejudicial e, ao mesmo tempo, evitar a remoção de conteúdo inofensivo. "Estamos constantemente revisando nossas políticas para buscar esse equilíbrio. Nossa lista de partes do corpo comumente sexualizadas é ilustrativa, não definitiva, e, dependendo do contexto, o conteúdo será removido de acordo com nossas políticas."

A empresa diz ainda que "trabalha para impedir que adolescentes vejam conteúdo inadequado de três maneiras principais: removendo completamente o que viola nossas regras, ocultando determinados tipos de conteúdo maduro ou sensível dos adolescentes e adotando um padrão mais rigoroso para o conteúdo que recomendamos".

Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.

Funcionários da Teleperformance, empresa que presta serviço de moderação para o Instagram, ouvidos sob condição de anonimato dizem que houve recomendações para reduzir a taxa de falsos positivos —isto é, a de publicações removidas por erro. O jeito mais simples de fazer isso é reduzindo as derrubadas de publicações.

Outra característica dos conteúdos pornográficos do Instagram enviados à reportagem é o uso de IA. Embora não tenha sido detectado o uso sem permissão da aparência de mulheres reais, os chamados deepfakes, as imagens apresentavam inconsistências típicas de uma geração artificial, afirma o professor de ciência da computação da Unicamp Anderson Rocha.