Estudo mostra que meio também elevou uso de cartões de crédito e débito
Doutor em economia por Yale, foi professor da London School of Economics (2004-2010) e é professor titular da FGV EESP
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14.jul.2026 às 22h35
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Mais uma vez, o governo americano está prestes a impor tarifas a exportações brasileiras. Entre as justificativas apresentadas, há críticas ao Pix, que estaria competindo de forma desleal com empresas que fornecem meios de pagamento, como Visa e Mastercard. O que sabemos sobre os efeitos do Pix, esse novo meio de pagamentos?
Antes de entrar nesse assunto, preciso destacar o óbvio: o Brasil tem o direito de desenvolver tecnologias de pagamento e regular a atuação de empresas privadas no setor. Não há nada de injusto no Pix. O atual presidente norte-americano e seus asseclas usam o conceito de justiça quando lhes convêm e parecem não se importar se as justificativas apresentadas passam o limite do ridículo.
Podemos agora falar do Pix.
Lançado ao fim de 2020, o Pix foi rapidamente adotado por milhões de brasileiros. Bancos foram obrigados a oferecer o serviço gratuitamente aos usuários, empresas e pessoas rapidamente começaram a usar e, em pouco mais de um ano, quase dois terços dos adultos brasileiros já utilizavam o Pix.
Se o volume de transações no Pix explodiu, o que aconteceu com o volume de movimentações com cartão de crédito e cartão de débito?
Curiosamente, o Pix levou a mais transações com cartão de crédito ou débito.
O estudo de Matheus Sampaio e José Renato Ornelas, usando técnicas estatísticas apropriadas e uma grande base de dados, mostra que, com o Pix, as pessoas começam a usar mais suas contas bancárias e muito menos dinheiro vivo. Por um lado, o Pix substitui transações que aconteceriam com cartão. Por outro, o maior uso de contas-correntes gera mais transações com cartão em vez de dinheiro vivo.
Os dados mostram que o segundo efeito é maior: o efeito líquido no uso de cartões de crédito e débito é positivo.
Transações com cartões de crédito e débito são mais caras no Brasil que nos Estados Unidos e na União Europeia (dados do estudo de Duarte, Frost, Gambacorta, Wilkens e Shin). Será que o Pix vai reduzir esse custo? Seria ótimo para a sociedade.
Julgando pela quantidade de transações, Visa e Mastercard não têm motivos para choramingar. Pode ser, porém, que seus preços tenham de se reduzir. Esse seria um efeito bem-vindo do aumento da competição no setor.
Corroborando essa possibilidade, estudo de Sergey Sarkisyan e outro de Liang, Sampaio e Sarkisyan indicam que o Pix levou a maior competição entre os bancos. O trabalho de Mariani, Ornelas e Ricca conclui que o Pix facilita o crescimento de instituições financeiras que operam sem agências físicas (fintechs).



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