Magistrado tentou tirar diretor da PF e foi tratado como ungido de Deus por Michelle Bolsonaro

Editor da Ilustríssima, formado em administração de empresas com mestrado em comunicação pela UFRJ. Foi editor de Opinião da Folha

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10.set.2026 às 21h47

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"Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário. É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade."

O parágrafo acima foi postado no X pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também candidato à reeleição. Não é apenas retórica, há uma proposta, um desafio. O que diriam os simpatizantes de Flávio Bolsonaro (PL)? Apoiariam ou teriam receio de que, tudo às claras, o caso Alexandre de Moraes viesse a perder a dimensão que ganhou com as estarrecedoras revelações sobre sua relação com Vorcaro?

Agora, Edson Fachin, presidente do STF, instou André Mendonça a seguir a ideia de Lula. Ele já vinha sendo questionado por certo favorecimento eleitoral ao candidato bolsonarista. Chegou a afastar o diretor da Polícia Federal —medida acertadamente refreada por Fachin, finalmente marcando presença em cena.

Não se trata de aliviar Moraes, com sua conhecida índole de justiceiro, seu ex-inquérito das fake news, o contrato indefensável de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de sua mulher e a promiscuidade sugerida pelas mensagens trocadas com Vorcaro que vieram a público. Ele que responda por seus atos e pague por seus desvios.

A questão é outra e não desaparece com considerações pueris sobre "falsas equivalências", perversões cartoriais luso-brasileirinhas sobre brasões e cabeçalhos em relatórios internos da PF ou simplificações sobre conteúdo e forma na atuação de magistrados.

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Ainda que se admita, por hipótese, ser Moraes o mais deplorável dos corruptos, isso não transformaria Mendonça em exemplo de imparcialidade e técnica neutra. Ele escorregou como agente político-eleitoral em suas decisões, que repetiram, diga-se, erros anteriormente apontados em seu oponente.

Não resistiu, além do mais, à vaidade justiceira messiânica com um vídeo de tom político-religioso no qual, como um jogador de futebol com diploma em direito, agradece pelas preces, pelo apoio de seus colegas e a Deus pela vitória. Comportou-se como enviado celeste a proteger o filho de seu antigo chefe, o golpista condenado Jair Bolsonaro.

"Em um dia muito marcante, na nossa salinha de consagração, Deus me revelou a sua entrada naquele tribunal. Sim, Ele abriu a minha visão, e eu o vi entrando com uma nuvem branca sobre a sua cabeça", postou Michelle Bolsonaro, que se referiu ao magistrado como escolhido e ungido do Senhor.

Parafraseando Leonel Brizola sobre Paulo Maluf, podemos dizer que Mendonça é um filhote do golpismo. Foi levado ao Supremo por Bolsonaro após substituir no Ministério da Justiça Sergio Moro, que pedira demissão pelo fato de o presidente pretender interferir na Polícia Federal.