Além de derrotar Maradona, ele está conquistando os brasileiros

A coluna O Último Messi é escrita por Sebastián Fest, jornalista argentino, autor de biografias de Lionel Messi, Rafael Nadal e Roger Federer e correspondente político na América do Sul do jornal espanhol El Mundo

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26.jun.2026 às 22h06

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É possível que Lionel Messi conquiste, daqui a três semanas, sua segunda Copa do Mundo. Por que não? Mas, independentemente de ele conseguir essa façanha, o argentino já é autor de outras duas: derrotou Diego Maradona e está conquistando os brasileiros.

Para os argentinos, é particularmente incompreensível que, em um país como o Brasil —o maior vencedor da história das Copas—, haja pessoas que gostam de futebol e torcem pela Argentina, como se tem visto nestas últimas semanas. Isso é quase impossível na terra do tango e do vinho, e é uma questão que vai além do sentimento pela seleção.

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O Flamengo e o Fluminense dividem o estádio do Maracanã, e há alguns anos alguém pensou que o Estudiantes de La Plata e o Gimnasia y Esgrima de La Plata poderiam fazer o mesmo. Construiu-se o "Estádio Único", nos arredores da capital da província de Buenos Aires, um estádio moderno, que só esporadicamente recebe jogos do Estudiantes e do Gimnasia. Seus torcedores são apaixonados por seus próprios estádios; a ideia de compartilhar a casa, como fazem Flamengo e Fluminense, nem passa pela cabeça deles. Nem o que acontecia com o Corinthians ou em Belo Horizonte.

O mesmo se aplica à seleção argentina. Não se interessar por ela já é, por si só, malvisto, mas trocá-la por outra (sem falar se for o Brasil) é considerado diretamente traição à pátria.

Nesse sentido, o nacionalismo argentino está muito mais próximo do chileno —talvez o mais forte da América do Sul— que do brasileiro. Na Argentina, e isso é um detalhe importante, qualquer grupo político que tentasse se apropriar de forma preferencial e quase exclusiva das cores da seleção não obteria vantagem nenhuma. Pelo contrário, seria penalizado, porque a seleção é de todos.

O Estádio Único de La Plata foi rebatizado no final de 2020, poucas semanas após a morte de Maradona. Agora se chama Estádio Diego Armando Maradona. E é justamente Maradona a outra façanha de Messi.

Durante anos, muitos anos, boa parte dos argentinos negou a Messi seu status de grande figura do futebol mundial. Alegaram, inclusive, que no futebol europeu não havia zagueiros de alto nível e que o verdadeiro desafio estava em superar uma partida de alta tensão na Copa Libertadores. Um pouco no mesmo tom do que certa vez disse o paraguaio Alejandro Dominguez, presidente da Conmebol, sobre a Liga dos Campeões: "Não é a mesma coisa assistir a futebol de verdade e assistir a futebol de PlayStation".