Apoio costuma chegar à ponta, mas pouco fortalece gestão de organizações que escalam impacto social

Espaço de debate para temas emergentes da agenda socioambiental

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Fábio Lesbaupin Consultor em negócios de impacto e filantropia estratégica, finalista do Prêmio Empreendedor Social 2022 e cofundador do fundo de investimento de impacto social Estímulo

Quando comecei a acompanhar Bruno, fundador da Poranduba Amazônia, imaginei que nossas conversas seriam sobre turismo. Não foram.

Falamos sobre fluxo de caixa, custos, indicadores, canais de venda, estratégia comercial e posicionamento. Em outras palavras, conversamos sobre aquilo que normalmente discutimos quando queremos ajudar uma empresa a crescer.

A diferença é que a Poranduba nasceu para enfrentar um problema social: gerar renda para comunidades amazônicas por meio do turismo de base comunitária.

Ao longo dos últimos dois anos, acompanhei sua evolução por meio da mentoria da Zunne —programa de investimentos voltada para negócios de impacto socioambiental. Em dois anos, a Poranduba praticamente triplicou o número de turistas atendidos, cresceu 56% em faturamento em 2025 e deve gerar mais de R$ 1 milhão em renda para comunidades amazônicas em 2026.

Mas os números não são o mais importante. Na comunidade de Saracá (PA), por exemplo, uma família que dependia exclusivamente da pesca passou a encontrar no turismo uma fonte de renda mais previsível.

Em outras localidades, atividades ligadas à extração ilegal de madeira deram lugar a oportunidades associadas à hospitalidade, à cultura e ao conhecimento da floresta.

Essas mudanças não aconteceram apenas porque existe uma boa causa. Aconteceram porque existe um negócio ficando cada vez mais forte.

Em uma das nossas conversas, Bruno resumiu esse processo de forma simples: "A maior contribuição da mentoria foi a visão estratégica e financeira. Passamos a enxergar com clareza nossos custos, nossos indicadores, os canais mais rentáveis e os caminhos para crescer com mais segurança."

Essa frase ficou comigo. Quando uma startup desenvolve uma solução tecnológica promissora, mobilizamos investidores, aceleradoras, mentorias e redes de relacionamento para ajudá-la a crescer. Fazemos isso porque acreditamos que boas soluções merecem escala.

Mas, quando alguém cria uma solução para enfrentar desafios como pobreza, geração de renda, educação ou desenvolvimento territorial, nossa lógica costuma ser diferente. Em vez de perguntar como ajudar esse negócio a crescer, perguntamos como ajudá-lo a sobreviver.