Juros caíram após mudanças no câmbio e redução do risco país, mas permanecem altos
Pesquisador do BTG Pactual e do FGV IBRE e doutor em economia
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1º.ago.2026 às 23h00
A tabela apresenta para diversos períodos a taxa de juros do mercado interbancário brasileiro desde 1995 até junho de 2026.
Como sabemos, os juros no Brasil são elevados. Mas por detrás desta caracterização, temos uma razoável variação entre períodos. Em particular, há dois degraus de quedas substantivas. A mudança do regime cambial, no início de 1999, e a acumulação de reservas, a partir de 2005.
Quando o câmbio era fixo havia risco de depreciação cambial, e o juro interno incorporava esse risco. Após a flutuação do câmbio, tínhamos dívida indexada ao dólar e poucas reservas. O risco país era elevado e o juro interno incorporava esse risco.
Após a acumulação das reservas houve forte queda do risco país. Por exemplo, o CDS de cinco anos, que era de 2.400 em 2002, caiu para 225 em 2006 e hoje se encontra abaixo de 130. A queda do risco país fez com que o equilíbrio entre oferta e procura no mercado doméstico de bens e serviços passasse a ser o grande determinante da taxa básica real de juros.
Há que se distinguir dois regimes: quando o gasto primário cresce acima do crescimento da economia e quando o gasto primário cresce conjuntamente com a economia.
O leitor atento pode avaliar que a diferença de 1,1 ponto percentual entre o período 2015/2019 e o período 2006/2014 é baixa, dado que no primeiro período a taxa de crescimento do gasto primário foi 3,6 pontos percentuais por ano acima do crescimento da economia e no segundo período foi igual. Ocorre que, na segunda metade do primeiro período, primeiro mandato de Dilma, houve represamento da inflação de administrados e do câmbio, e juros artificialmente baixos.
No período posterior houve a reversão desses fatores, o que contribuiu para que os juros tivessem sido maiores. O desemprego elevado de 2015 até 2019 foi o preço para vencer a inércia inflacionária produzida no período anterior.
Com essas ressalvas, os dados da tabela sugerem que, se conseguirmos navegar alguns anos com gasto primário crescendo junto com a economia, os juros reais convergirão para 3% ao ano.
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