Empatado no segundo turno com Flávio Bolsonaro, petista teme ser impactado pela crise no Supremo e pretende reverter maré negativa com atos em grandes colégios eleitorais e aprovação de projetos no Congresso.
Role, Da BBC News Brasil em São Paulo e em BrasíliaPublished 5 setembro 2026Tempo de leitura: 9 minA primeira metade da campanha eleitoral quase acabou e, até o momento, o saldo parece ser negativo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No primeiro dia da campanha, quando Lula realizou um ato em São Bernardo do Campo (SP) tentando resgatar a sua história de líder metalúrgico no ABC, a estratégia era conquistar apoio, avançar com pautas positivas para o governo e, assim, navegar com uma certa distância de seu principal rival para chegar ao segundo turno com fôlego.
Naquele dia, 16 de agosto, Lula estava numericamente a frente de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo o agregador de pesquisas da BBC News Brasil, no cenário para segundo turno.
Ele aparecia com 45% e Flávio com 43%. Agora, os dois aparecem empatados numericamente com 44%.
A campanha de Lula via nesta semana a possibilidade de um alívio após dias de pressão pela divulgação de trechos de investigações sobre o filho mais velho do presidente, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha.
A aposta era de que a semana pudesse entregar algum alívio no noticiário com a aprovação de pautas positivas para o governo como o fim da taxa das blusinhas e a aprovação do projeto do fim da escala 6x1.
Mas a crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF), que tem como pano de fundo o escândalo do Banco Master, atrapalhou, para dizer o mínimo, os planos para que a campanha do petista decolasse.
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A avaliação de uma fonte próxima à campanha consultada pela BBC News Brasil é que a crise na qual o Supremo mergulhou pode respingar em Lula, devido ao sentimento antisistema que pode ficar ainda mais latente agora.
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Às vésperas da eleição, o efeito "contra tudo isso que está aí" pode contaminar a candidatura do petista, afirmou a fonte, que pediu para não ter o nome divulgado.
Além disso, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, é visto pela opinião pública como alguém próximo a Lula. Seu suposto envolvimento e proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, segundo apontaram as investigações da Polícia Federal tornadas públicas nesta semana, podem causar impacto na imagem de Lula.
Na visão do interlocutor, desgastar Moraes pode respingar no presidente pelo simples fato de o ministro ser visto como alguém alinhado ao petista.
De olho nos possíveis desdobramentos, Lula foi às redes sociais, na quinta-feira (3/9), dizer que "diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações."
Sem mencionar nomes, disse que "nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos."
"Fica claro que nossos sistemas político e judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer", disse Lula.
O estopim da crise foi a retirada de sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março, trocava mensagens com um contato atribuído a Alexandre de Moraes. A decisão por tornar público o inquérito foi do relator do caso, o ministro André Mendonça.
A BBC News Brasil mostrou que o número de telefone atribuído pela PF a Alexandre de Moraes também está associado a contas digitais identificadas com o nome do ministro.
Nas conversas, o banqueiro pede conselhos a Moraes e até a intervenção do ministro a seu favor junto ao diretor da PF, Andrei Neto, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.




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