Governo Trump impõe bloqueio ao acesso estrangeiro aos modelos de IA mais recentes da empresa ...

Governo Trump impõe bloqueio ao acesso estrangeiro aos modelos de IA mais recentes da empresa devido a preocupações com segurança. Especialistas alertam que decisão pode criar um precedente perigoso.Executivos do Vale do Silício e formuladores de políticas globais estão perplexos com a mais recente repressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic, criadora dos poderosos chatbots Claude.

Apenas alguns dias após o lançamento de suas atualizações mais poderosas - o Claude Fable 5, e o ainda mais poderoso Mythos 5 -, o governo Trump decidiu em 12 de junho impor rígidos controles de exportação às ferramentas da Anthropic.

Washington citou riscos à segurança nacional decorrentes do chamado jailbreaking - comandos inteligentes que burlam as salvaguardas de segurança da IA. No entanto, a gigante de tecnologia, sediada em São Francisco, afirmou que esses riscos são menores e exagerados e também estão presentes nas plataformas de IA concorrentes.

Mas com o Departamento de Comércio dos EUA efetivamente proibindo cidadãos estrangeiros em todo o mundo de usar os modelos, incluindo a própria equipe da Anthropic, a empresa não teve muita escolha a não ser suspender completamente o acesso global.

A medida veio dias depois de a Anthropic apresentar seus planos de uma oferta pública inicial (IPO) visando sua entrada no mercado de ações, provavelmente no segundo semestre do ano, na esperança de arrecadar dezenas de bilhões de dólares de investidores.

Especialistas e aliados perplexos com "botão de desligar"

A proibição de exportação atraiu fortes críticas do setor de tecnologia.

Em carta aberta publicada neste domingo (14/06), um grupo de mais de 170 executivos de tecnologia alertou que as restrições "colocavam em risco a liderança americana em IA", privando os defensores da segurança cibernética de suas ferramentas mais poderosas, enquanto as capacidades da China avançam rapidamente.

Na cúpula dos países do G7 nesta semana em Evian, na França, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, pediu acesso "amplo e inclusivo" aos modelos de IA dos EUA, enquanto o Reino Unido solicitou uma exceção à proibição, que foi rejeitada.

Enquanto isso, alguns legisladores europeus descreveram a capacidade de Washington de bloquear o acesso como um "botão de desligar" que reforçou a necessidade de a União Europeia (UE) garantir sua própria soberania em IA.

"Não compraremos nenhum modelo fabricado por essas empresas se, da noite para o dia, for possível simplesmente desligar o interruptor", alertou o presidente francês, Emmanuel Macron, nesta quarta-feira.

Medidas expõem lacunas regulatórias dos EUA

Risto Uuk, chefe de política e pesquisa europeia do instituto Future of Life, descreveu a medida americana como "precipitada e desinformada" e pediu que Washington estabeleça regulamentações de IA mais claras e rigorosas, semelhantes às que estão sendo implementadas pela UE em agosto.

A segurança da IA "não pode depender da boa vontade de uma única empresa em uma determinada semana", disse Uuk à DW.

Washington normalmente utiliza táticas de guerra jurídica - ferramentas legais como controles de exportação - contra rivais estrangeiros, como China e Rússia.

No entanto, especialistas em tecnologia e formuladores de políticas alertam que visar uma empresa americana como a Anthropic estabelece um novo e perigoso precedente, pois corre o risco de minar a confiança dos investidores no boom da IA, sufocar a inovação e enfraquecer a vantagem tecnológica geral dos EUA.

As medidas também se baseiam em uma disputa de longa data entre a Anthropic e o governo Trump.

Anthropic fez inimigos no Pentágono

No início deste ano, a Anthropic entrou em rota de colisão com o Departamento de Defesa dos EUA após se recusar a suspender restrições de longa data aos seus modelos de IA para vigilância em massa de cidadãos americanos ou sistemas de armas letais totalmente autônomos.

O Pentágono classificou a Anthropic como um "risco para a cadeia de suprimentos" e ameaçou cancelar contratos no valor de centenas de milhões de dólares, o que levou a empresa a entrar com uma ação judicial.