Pesquisa da economista Karina S. S. Bugarin, publicada pelo Instituto Esfera, mostra discrepâncias nas estimativas
Editado por Alex Sabino (interino), espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão e Maria Clara Guilherme
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Estudo da economista Karina S. S. Bugarin, doutora pela USP (Universidade de São Paulo), publicado pelo Instituto Esfera de Estudos e Inovação, diz que, nos últimos dois anos, as projeções de inflação das empresas não financeiras têm sido diferentes do conjunto de bancos e gestoras.
Em maio de 2024, as companhias estimavam taxa inflacionária de 4% para 2025, enquanto financistas apostavam em 3,77%. Seis meses depois, o quadro mudou: empresários chegaram a 4,2% e analistas financeiros subiram para 5%. Em fevereiro deste ano, as expectativas ficaram mais próximas: 5,5% e 5,65%, respectivamente.
O trabalho tem o título de "Juros e expectativas de inflação no Brasil: uma análise crítica" e parte de duas premissas: o patamar da taxa de juros do país (com a Selic em 14% e a inflação em 4,6% em meados de 2026) decorre de fatores estruturais, como trajetória da dívida pública, poupança baixa e falhas na política monetária ao crédito.
A segunda premissa é analítica: quem forma preços e salários decide com base no que espera do futuro. Analistas profissionais tentam antecipar como essas decisões afetarão a inflação.
Os dados usados no estudo estão em levantamentos do Boletim Focus, que capta as projeções de bancos e gestoras de fundos, e a pesquisa Firmus, direcionada a empresas não financeiras. Lançada no ano passado, a Firmus teve 309 respostas no início de 2026, um número pequeno diante de referências internacionais, como a do Reino Unido, que reúne 2.400 companhias. O estudo mostra que as duas medições tendem a convergir em períodos de estabilidade e a se afastar em momentos de estresse econômico.
Com base nesse diagnóstico, a economista recomenda ampliar a adesão à Firmus e organizá-la por setor, porte e região, para que a amostra represente melhor a economia brasileira.
Sugere também incluir perguntas sobre expectativas de inflação em horizontes de quatro a cinco anos. Outra proposta é dar a Firmus e Focus espaço fixo nos relatórios do Copom, ao lado de uma medida formal de longo prazo.
A pesquisadora defende ainda uma versão simplificada do comunicado do Copom, nos moldes do resumo divulgado pelo Banco da Inglaterra a cada decisão, distribuída em diferentes canais em uma estratégia de comunicação estratificada.
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