A gestão de resíduos passa por uma transformação importante no Brasil. Materiais que antes eram considerados apenas um custo operacional começam a ser avaliados como potenciais insumos para novos processos produtivos, especialmente quando não apresentam viabi…

A gestão de resíduos passa por uma transformação importante no Brasil. Materiais que antes eram considerados apenas um custo operacional começam a ser avaliados como potenciais insumos para novos processos produtivos, especialmente quando não apresentam viabilidade para a reciclagem convencional.

É nesse contexto que a Brasil Nutri Ambiental inaugura, em novembro, seu novo parque de geração de Combustível Derivado de Resíduos (CDR), localizado em Buerearema, Bahia. O empreendimento foi desenvolvido para ampliar as alternativas de valorização e destinação ambientalmente adequada de materiais complexos.

A nova unidade terá capacidade para processar mais de 100 toneladas de resíduos por dia e atenderá empresas de diferentes setores que enfrentam desafios relacionados à destinação de produtos fora de especificação, resíduos industriais e materiais que não podem ser reciclados pelos métodos convencionais.

Resíduos complexos com tratamento controlado

O parque foi projetado para receber materiais que, após avaliação técnica, não apresentam viabilidade para a reciclagem convencional, mas podem ter potencial de valorização energética, servindo como combustível para fornos industriais.

Antes de qualquer processamento, esses materiais passam por procedimentos controlados de recebimento, análise, triagem e descaracterização. Essa etapa é fundamental para impedir o retorno indevido de produtos ou materiais ao mercado, além de garantir maior controle sobre sua origem, tratamento e destinação.

A descaracterização é realizada de forma segura e documentada, considerando as características de cada resíduo e os requisitos técnicos, ambientais e regulatórios aplicáveis. Na sequência, os materiais elegíveis podem ser preparados para a produção de Combustível Derivado de Resíduos, conforme as especificações necessárias para sua utilização.

"A implementação desta planta adicional à já existente de gestão de resíduos sólidos representa o fechamento de um ciclo de valorização de resíduos com conformidade regulatória", afirma a Engenheira Ambiental e de Sustentabilidade do Grupo Brasil Nutri Ambiental, Thayná Keslley.

CDR como alternativa de valorização

O Combustível Derivado de Resíduos é produzido a partir de materiais previamente selecionados e processados para atender a requisitos técnicos específicos. Sua utilização ocorre em aplicações industriais autorizadas, de acordo com as características do combustível, as condições operacionais do consumidor e as licenças ambientais correspondentes.

A solução não substitui a redução na geração de resíduos, a reutilização ou a reciclagem quando essas alternativas são técnica e economicamente viáveis. O objetivo é oferecer uma destinação adequada para materiais que não encontram aproveitamento nos processos convencionais, evitando que sejam encaminhados diretamente para disposição final quando houver possibilidade de valorização energética.

Com o novo parque, a Brasil Nutri Ambiental passa a ampliar a integração entre gestão de resíduos, processamento industrial e economia circular.

Essa estrutura oferece maior transparência para as empresas geradoras, que passam a contar com informações documentadas sobre o tratamento e o destino dos materiais encaminhados ao parque.

Economia circular na prática

A economia circular propõe uma mudança na forma como os recursos são utilizados. Em vez de seguir um modelo linear (no qual materiais são produzidos, consumidos e descartados), busca-se prolongar seu valor e reduzir a necessidade de extração de novos recursos.

A produção de CDR se insere nessa lógica ao dar uma nova função a materiais que não podem ser reciclados pelos métodos convencionais, desde que atendam aos critérios técnicos e ambientais necessários.

Na prática, o modelo contribui para:

Ampliar as alternativas de destinação de resíduos;

Reduzir a dependência de soluções de disposição final;

Aproveitar o potencial energético de materiais elegíveis;