Três enormes pilares de arenito erguidos perto de Boroughbridge, no norte da Inglaterra, guardaram durante séculos uma dúvida básica: de onde veio tanta ped...

Impressões digitais minerais ligaram os monólitos de Yorkshire a Brimham Rocks e descartaram a principal explicação baseada em transporte glacial

Os pesquisadores analisaram minúsculos cristais de zircão e apatita preservados dentro dos monumentos. Esses minerais possuem idades radiométricas diferentes conforme a história geológica das rochas que os originaram, funcionando como uma espécie de impressão digital da fonte.

A distribuição dessas idades combinou com amostras de Brimham Rocks, e não com Plumpton Rocks, local mais próximo anteriormente considerado a origem provável. Os três monólitos são formados por Millstone Grit, um arenito muito diferente das rochas sobre as quais estão atualmente erguidos.

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A equipe desenvolveu uma técnica de amostragem de baixo impacto usando material adesivo para retirar grãos microscópicos da superfície. Isso permitiu aplicar datação urânio-chumbo aos minerais sem remover grandes pedaços dos monumentos, uma vantagem importante para estruturas arqueológicas protegidas.

O método foi combinado com amostras das possíveis áreas de origem e reconstruções do movimento de antigas geleiras. A direção conhecida do gelo regional não oferece uma explicação adequada para transportar material de Brimham Rocks até Boroughbridge, favorecendo a interpretação de deslocamento humano.

Este vídeo apresenta a nova pesquisa sobre a origem dos monumentos.

Cada uma das maiores pedras pesa mais de 25 toneladas, e os três pilares sobreviventes alcançam alturas próximas de sete metros. A distância em linha entre Brimham Rocks e o monumento é de aproximadamente 18 quilômetros, mas a rota efetivamente percorrida pode ter sido maior.

A idade exata do monumento continua incerta. Os pesquisadores situam sua construção provavelmente no Neolítico Final ou no início da Idade do Bronze, possivelmente em torno de 2000 a.C. Os três pilares sobreviventes formam hoje uma linha irregular com aproximadamente 174 metros de extensão.

O estudo publicado na Proceedings of the Royal Society A também destaca que registros históricos sugerem que o alinhamento original possuía pelo menos cinco pedras, talvez mais. A pesquisa identificou ainda uma provável reutilização de material de um monólito desaparecido na chamada Battle Cross, em Aldborough.

Esse é um dos aspectos mais intrigantes. Existiam fontes adequadas de arenito mais perto de Boroughbridge, mas os construtores aparentemente selecionaram material vindo de uma paisagem mais distante e difícil. A escolha sugere que conveniência não foi o único critério para a construção.

Os autores consideram possível que Brimham Rocks tivesse significado cultural ou paisagístico para essas comunidades, mas essa interpretação permanece uma hipótese. A geologia pode demonstrar a procedência do material; não consegue revelar sozinha os motivos sociais, religiosos ou simbólicos da escolha.

Mover blocos tão grandes por pelo menos 18 quilômetros exigiria planejamento, mão de obra coordenada e conhecimento prático sobre terreno e transporte. Mesmo sem saber a técnica utilizada, a procedência demonstra que essas comunidades eram capazes de organizar projetos de grande escala.