Nova gestão propõe pagar 30% dos compromissos e parcelar o restante em cinco vezes; fornecedores criticam condução generalizada

Priorizar nos meus resultados Google A primeira grande medida da nova administração da Pernambucanas veio pelo caixa. A varejista iniciou uma renegociação ampla com fornecedores, propondo reprogramar tanto pagamentos já vencidos quanto compromissos que vencerão entre agosto e dezembro — período em que a empresa forma estoques para a Black Friday e o Natal.

Pelo plano enviado aos parceiros comerciais, a Pernambucanas propõe pagar apenas 30% dos valores vencidos e também dos vencimentos de agosto, sempre em até cinco dias após a data originalmente prevista. Os 70% restantes seriam parcelados em cinco prestações mensais. O mesmo mecanismo seria repetido para os vencimentos de setembro, outubro, novembro e dezembro, alongando parte relevante dos desembolsos para 2027.

A medida representa a primeira ação de maior impacto desde a chegada do novo presidente, Marcelo Pimentel, contratado para liderar a recuperação da companhia após três anos consecutivos de prejuízo. Na prática, a empresa tenta preservar caixa justamente no momento em que precisa receber mercadorias para o período mais importante do calendário do varejo.

A condução da negociação, porém, desagradou parte dos fornecedores. Pessoas ouvidas pelo Radar Econômico afirmam que o comunicado foi enviado de forma padronizada, sem tratativas prévias individualizadas para discutir a situação de cada parceiro. A avaliação de alguns deles é que a companhia transferiu parte de sua necessidade de capital de giro para a cadeia de fornecimento, em um momento sensível para a produção e entrega de mercadorias.

Procurada, a Pernambucanas confirmou o envio da proposta. Em nota, afirmou que “iniciou, junto aos seus fornecedores, negociações para reprogramação de determinados pagamentos” e que a medida “faz parte de iniciativas de gestão financeira e adequação do fluxo de pagamentos da companhia”.

A empresa, contudo, recusou-se a informar quantos fornecedores receberam a proposta e qual o volume financeiro envolvido. Segundo a companhia, “por se tratarem de negociações comerciais individuais e confidenciais, a companhia não divulgará o número de fornecedores envolvidos nem os valores em negociação”.

A varejista também buscou afastar interpretações de que a medida possa anteceder uma reestruturação formal. “Não há, neste momento, processo de recuperação judicial ou extrajudicial em curso ou em avaliação”, afirmou. A empresa acrescentou ainda que “a operação segue em pleno funcionamento”.

A companhia não respondeu, entretanto, se a renegociação já provocou suspensão de entregas ou restrições de crédito por parte de fornecedores, nem se vê risco de impacto no abastecimento para a Black Friday e o Natal. É justamente esse o principal receio de parceiros comerciais ouvidos pela reportagem: que empresas menores tenham dificuldade para financiar produção e novos embarques enquanto aguardam o recebimento dos valores reprogramados.