Doença que atinge cerca de 200 mil mulheres no Estado e que ainda enfrenta desafios para diagnóstico e tratamento, o lipedema tem coberturas garantidas em planos de saúde.A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou que pacientes têm 10 tipos de consultas e exames assegurados quando há indicação médica. Entre eles estão consultas médicas com nutricionista e com psicólogo, além de reeducação e reabilitação do sistema linfático ou vascular periféri
Doença que atinge cerca de 200 mil mulheres no Estado e que ainda enfrenta desafios para diagnóstico e tratamento, o lipedema tem coberturas garantidas em planos de saúde.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou que pacientes têm 10 tipos de consultas e exames assegurados quando há indicação médica. Entre eles estão consultas médicas com nutricionista e com psicólogo, além de reeducação e reabilitação do sistema linfático ou vascular periférico.
O Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde – que garante as coberturas obrigatórias – ainda tem na lista ultrassonografia dermatológica e ressonância magnética de coxa e de perna; além de tomografia, entre outros.
O angiologista e cirurgião vascular José Marcelo Corassa afirmou que, apesar das coberturas previstas, pacientes encontram dificuldades para ter diagnóstico e acesso ao tratamento mais adequado.
Segundo ele, um dos entraves é que o Brasil ainda utiliza a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), que não reconhece o lipedema como doença. A condição tem código na CID-11, mas a classificação ainda não foi incorporada aos sistemas de saúde no País.
O especialista ressalta que o tratamento começa por medidas conservadoras, como dieta anti-inflamatória, prática de atividade física, drenagem linfática e controle do funcionamento intestinal. Há casos em que também é indicado o uso de meia de compressão.
Para pacientes em estágio mais avançado, porém, podem ser necessários procedimentos que não são cobertos pelos planos, como terapias com ultrassom multifocado, laser e, em situações específicas, cirurgia para retirada da gordura. “Há pacientes em que apenas a cirurgia consegue devolver mobilidade e qualidade de vida”.
A fundadora do Movimento Lipedema Capixaba, Luciene de Oliveira, revelou que o movimento nasceu da vontade de dar visibilidade à doença e conscientizar outras mulheres. “Meu desconhecimento sobre a doença contribuiu para o agravamento, comprometendo minha mobilidade. A obesidade veio associada ao quadro, e cheguei a pesar 122 kg”.
Ela ressalta que sem o tratamento correto a doença pode evoluir para o lipolinfedema, causar perda da mobilidade e favorecer o surgimento de outras condições relacionadas ao lipedema.
“Defendo que todos os exames e terapias para o lipedema passem a integrar o rol da ANS. Isso inclui terapia compressiva, drenagem linfática manual, medicamentos injetáveis e demais recursos reconhecidos pela ciência.”
A engenheira civil Patrícia da Penha Souza, 42, recebeu diagnóstico de lipedema em 2021, com indicação para cirurgia. Como não tinha condições de arcar com os custos, entrou na Justiça contra o plano de saúde, em 2023.
Conseguiu autorização para a primeira cirurgia em setembro de 2025. A segunda foi feita em março deste ano.
“Não tenho mais dores constantes. Antes, eu chegava do trabalho, precisava colocar as pernas para cima por causa da dor e do inchaço. Hoje tenho mais qualidade de vida”.
13% das mulheres têm lipedema
50% delas têm também obesidade
O que é coberto pelos planos
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou que o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde contempla procedimentos diagnósticos e terapêuticos para lipedema, como, por exemplo:




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