Com rombo de R$ 52 bilhões, previdência das Forças Armadas entra na mira de reforma. Entenda as novas regras e o impacto na previdência dos militares.
Para entenderPor que a previdência das Forças Armadas virou alvo de uma nova reforma?Por Gazeta do Povo Lab
Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleApós mudanças tímidas em 2019, cresce a pressão para que uma nova reforma enfrente o déficit do sistema de proteção social das Forças Armadas (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)Especialistas e o governo federal discutem a urgência de reformar o sistema de proteção social dos militares em 2026. Com um déficit de R$ 52,3 bilhões acumulado em 2024, o setor responde por 12% do rombo previdenciário da União, exigindo ajustes para garantir a sustentabilidade das contas públicas.
O sistema enfrenta um desequilíbrio profundo. Em 2024, as despesas chegaram a R$ 61,5 bilhões, enquanto a arrecadação foi de apenas R$ 9,2 bilhões. Essa diferença de R$ 52,3 bilhões é coberta pelo dinheiro dos impostos de todos os cidadãos (Tesouro Nacional). Na prática, 85% do custo do sistema para inativos e pensionistas da Aeronáutica, Exército e Marinha não vem de contribuições, mas de recursos diretos da União.
Enquanto trabalhadores comuns e servidores civis tiveram regras bem mais rígidas, a mudança para os militares foi vista como 'light'. Embora o tempo de serviço tenha subido para 35 anos e a alíquota de contribuição para 10,5%, o governo também reestruturou as carreiras e aumentou adicionais salariais. O resultado foi uma economia líquida de apenas R$ 10 bilhões em dez anos, valor muito baixo perto do prejuízo anual bilionário do sistema.
Diferente de civis e servidores comuns, os militares passam para a reserva com 48 anos de idade, em média. Esse é um dos pontos centrais da discussão, pois muitos beneficiários passam mais tempo aposentados do que em atividade. O governo propõe agora fixar uma idade mínima de 55 anos para a reserva remunerada, tentando alinhar as regras com o envelhecimento geral da população.
O Projeto de Lei nº 4.920/2024 busca endurecer as regras. Além da idade mínima de 55 anos, a proposta quer acabar com a 'morte ficta' — quando a família recebe pensão mesmo que o militar tenha sido excluído das Forças Armadas. Outro ponto é o fim da transferência de pensões para parentes de segunda ordem, como irmãos e pais. A estimativa é economizar R$ 2 bilhões por ano, embora críticos digam que isso resolve apenas uma pequena parte do problema.
Além dos economistas focados em contas públicas, especialistas em Defesa alertam que o gasto excessivo com militares inativos prejudica as próprias Forças Armadas. Quando o orçamento é engolido por pensões e aposentadorias, sobra pouco dinheiro para investimentos essenciais, como modernização de equipamentos, tecnologia, pesquisa e infraestrutura. Por isso, defendem que o ajuste é necessário para manter a capacidade operacional do país.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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