Mais 38 mil residentes estrangeiros do que em 2024, com 84,6% em idade ativa e maioria concentrada em Lisboa. Brasileiros (493 mil), angolanos e indianos no topo, diz relatório da AIMA.
Portugal tinha no final de 2025 um total de 1.585.854 cidadãos estrangeiros a residir no país, mais 38 mil que no ano anterior, anunciou esta terça-feira a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). Do total, 493.622 têm nacionalidade brasileira (31,1%), revela ainda a agência.
No “Relatório de Migrações e Asilo 2025”, esta terça-feira divulgado, a AIMA refere que o aumento ligeiro, em comparação com os anos anteriores, reflete a “estabilização das novas entradas em território nacional e a consolidação de uma comunidade estrangeira estruturalmente integrada na vida económica e social do país”.
“Durante o ano de 2025, a AIMA emitiu mais de 500.000 títulos de residência — com destaque para as concessões, com 337.880 títulos emitidos, e as renovações, com 189.331 títulos” e ao longo do ano, a agência “prosseguiu o trabalho de correção, validação e atualização estatística iniciado no ano anterior, assegurando maior precisão na caracterização da população estrangeira residente”, refere o relatório anual da AIMA.
“Tal como em anos anteriores, a data de emissão pode não coincidir com a data de entrada do cidadão no país, dada a complexidade e o volume dos processos em análise”, justifica a AIMA, que destacou ainda a “operação de atendimento e decisão administrativa sem precedentes na administração pública portuguesa”.
De acordo com o relatório, a maioria dos estrangeiros (1.324.411) possui um título de residência válido com data de validade posterior a 1 de julho de 2025, 66.740 são beneficiários de proteção temporária, 50.695 correspondem a processos de manifestação de interesse já atendidos e em fase de conclusão, 42.521 detinham autorizações de residência CPLP caducadas e já foram atendidos para renovação, 76.907 cidadãos possuem títulos de residência caducados e já efetuaram o pagamento das taxas administrativas para atendimento, e 24.476 cidadãos correspondem a processos de reagrupamento familiar já atendidos.
“No total, foram registados 671.273 agendamentos e realizados 605.890 atendimentos”, refere o relatório.
De acordo com o sumário executivo do documento, a Estrutura de Missão da AIMA, que foi criada para resolver pendências, “assegurou 409.799 agendamentos e 386.837 atendimentos, enquanto as Lojas AIMA realizaram 261.474 agendamentos e 219.053 atendimentos”.
“Estes números demonstram a capacidade da AIMA para gerir elevados fluxos de procura, assegurando simultaneamente previsibilidade, qualidade e proximidade no atendimento aos cidadãos”, refere o relatório.
Já no que diz respeito aos refugiados, “registou-se em 2025 um decréscimo no número de novos pedidos, com 1.765 solicitações de proteção internacional”, apesar de não estar em vigor a manifestação de interesse, um recurso que permitia a estrangeiros requerer autorizações de residência, já em Portugal, algo que muitos requerentes de asilo recorriam.
No relatório, a AIMA diz ter assegurado “a tramitação integral dos processos, a emissão das autorizações de residência provisórias e a concessão dos respetivos estatutos de proteção, reafirmando o compromisso de Portugal com uma abordagem humanista, responsável e alinhada com as obrigações internacionais”.
Na apresentação do relatório, o presidente cessante da AIMA, Pedro Portugal Gaspar, salientou que “o segundo semestre de 2024 e o início de 2025 representaram um período de enorme complexidade operacional, com a resolução de um volume histórico de processos pendentes que gerou um volume de atendimentos muito superior ao registado em anos anteriores”.
“O Relatório de Migrações e Asilo 2025 constitui um instrumento essencial para compreender a evolução dos fenómenos migratórios em Portugal e para reforçar a transparência e a confiança no serviço público”, escreveu Portugal Gaspar, salientando que o documento “reflete o compromisso da Agência com a prestação de um serviço público rigoroso, humanista e responsável”.
Em outubro do ano passado, a AIMA apresentou o relatório referente a 2024, concluindo que no final desse ano, estavam registados 1.543.697 cidadãos estrangeiros a residir em território nacional, o quádruplo desde 2017.
Para esse aumento contribuiu a figura da manifestação de interesse, que facilitou a regularização de estrangeiros, desde que tivessem contrato de trabalho e descontos.
Seguem-se Angola (99.050), Índia (91.405), Ucrânia (84.889), Cabo Verde (71.005), Nepal (53.304), Bangladesh (55.579), Guiné-Bissau (51.935), Reino Unido (47.726), Itália (42.418), Paquistão (42.042) e São Tomé e Príncipe (41.800) na lista dos países com maiores comunidades residentes em Portugal.
Em comparação com o ano anterior, há mais quase dez mil brasileiros a viver em Portugal, com uma redução da população indiana, que foi ultrapassada na tabela pelos angolanos, enquanto o aumento de cidadãos italianos (mais duas mil pessoas) colocou a Itália a fechar o top 10, ultrapassando Paquistão e São Tomé e Príncipe.
No total, os cidadãos dos países lusófonos (Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor-Leste) perfazem quase 50 por cento da população estrangeira a residir em Portugal.
Em comparação com 2024, a América do Norte e Central, com os EUA à cabeça, foi a região que contribuiu para maior crescimento de imigrantes, com mais 10%, enquanto a Ásia teve uma redução de 4,1%.
A maioria dos estrangeiros são homens (55,6%) e 84,6% estão em idade ativa (entre os 18 e os 64 anos) e 135.750 são menores (maioria do sexo feminino).
Já no que diz respeito à distribuição no território, o distrito de Lisboa tem 605.895 estrangeiros residentes (cerca de 40% do total), seguindo-se Setúbal (173.885), Porto (167.498) e Faro (166.124).



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