Enquanto Luís Montenegro vê um "mar de rosas" na seleção, os exames derrapam com um ministro "estrela cadente". Já em Almada, a água não existe em pleno verão.
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Este é mais um E O Vencedor É. Lembre que também nos pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais ou do site do Observador. Luís, esta manhã estão conosco Alexandra Machado e José Manuel Fernandes.
E temos falta de água em Almada, temos falhas na correção dos exames nacionais, mas começamos, Paulo, pelo fim do sonho da Seleção Portuguesa de Futebol. Ficaste tão triste como Luís Montenegro?
Não sei, pelo menos mais realista, talvez. E era precisamente sobre esse ponto. Eu ontem dei-me ao trabalho de ouvir alguns dos comentários nas estações.
Ias-te dando ao trabalho de ver o jogo.
Não, também. Isso fui vendo. Há partes um bocadinho mais monótonas em que acabo por me distrair, mas fui vendo. Mas depois dei-me ao trabalho de ouvir os comentários logo a seguir, que aliás, o tom foi o mesmo de há pouco do Campeão É, do Bruno aqui também. Fala-se de que correu mal desde o início a Seleção Portuguesa, desde o início do campeonato, não foi só um problema do jogo de ontem. Portugal jogou sempre mal. Contra a Croácia, enfim, foi ali um acaso também que levou à vitória. Ouvi falar de incompetência, falta de ambição, falta de empenho coletivo, muitos valores individuais, mas que não fazem todos juntos uma equipa. Ouvi falar de tragédia nas substituições, como a equipa não pode ter lugares cativos. Depois ouvi também Ricardo Quaresma, Rúben Dias, Bruno Fernandes, todos a dizerem que há muito boas individualidades, mas não temos um conceito de jogo como tem Espanha, Rúben Dias. Bruno Fernandes: "O balanço não pode ser positivo, só seria se tivéssemos chegado ao fim e não chegámos. Este grupo tinha qualidade para ganhar o mundial, infelizmente não vai ganhar." E depois, logo a seguir, ouvi Luís Montenegro lá na flash interview do estádio. E o que é que disse o primeiro-ministro? Disse que estava naturalmente triste pelo resultado, o que é normal. Mas depois disse: "Mas ao mesmo tempo estamos muito reconhecidos e orgulhosos pelo percurso que esta equipa realizou. É um conjunto de atletas absolutamente extraordinário, com um talento e uma entrega à defesa das nossas cores, da nossa bandeira, excepcionais." Diz o primeiro-ministro: "Tivemos as nossas oportunidades, mas não há dúvida nenhuma que poderíamos ter ganho o jogo. Temos que reconhecer isso, mas fazê-lo com humildade, mas também sentido de gratidão para os atletas, corpo técnico e direção da Federação Portuguesa de Futebol." Logo a seguir, depois destas palavras, Luís Montenegro foi absolutamente torpedeado pelos mesmos comentadores que disseram: "Bom, o primeiro-ministro de certeza que não viu o mesmo jogo ou os mesmos jogos que nós vimos." E de facto, nem é preciso perceber muito de futebol para perceber que há aqui um discurso de Luís Montenegro, que para ser muito simpático, está muito à margem da verdade, daquilo que é a realidade. Eu espero bem que Luís Montenegro não olhe para as várias áreas da governação, da economia, da saúde, da educação, por aí fora, com os mesmos óculos com que olha para o futebol e para a apostação, porque senão, se ele parte iludido e com o mau diagnóstico para aquilo que são as áreas da governação e para a realidade, obviamente que a terapia não vai ser certa. E eu acho que isto tudo é uma metáfora do país também, esta conversa converseta de Luís Montenegro, não tem outra palavra. É uma metáfora do país. Nós somos todos muito bons, temos muito talento individual.
Aliás, aquelas descrições que fazias no início podiam ser aplicadas ao país.
Ao país. Aquelas conversas, exato.
Tudo aquilo podia ser aplicado ao país.
Somos os maiores. Aliás, Marcelo Rebelo de Sousa era particularmente frequente com esse tipo de conversa. Somos os maiores, o povo é extraordinário individualmente, mas depois os salários são uma miséria, a economia patina, temos problemas no Estado, por onde quer que nos viremos, nada funciona. Demoramos décadas a discutir os mesmos assuntos e nada é resolvido. Se o padrão do Luís Montenegro é este, de facto, temos que temer. Eu espero sinceramente, sem perceber muito do assunto, mas também fazendo fé nos comentários que fui ouvindo, que Luís Montenegro não seja o Roberto Martínez do país daqui a dois ou três anos, quando se fizer o balanço desta legislatura.
Mas essa semelhança é muito curiosa entre o discurso de Luís Montenegro e do Roberto Martínez, porque os dois dizem coisas muito parecidas.
Sobre a prestação da equipa?
Eles veem a mesma coisa, o que significa que, se calhar-
...os dois olham para o jogo de uma perspectiva mais política, mais diplomática, no caso de Roberto Martínez, o que é péssimo para os dois.
Para quem tem que apresentar resultados.
Cada um nas suas funções. José Manuel, há aqui uma metáfora do país também?
Há uma metáfora do país e começa pelo facto de ter sido, se eu não me engano, a terceira vez que Luís Montenegro viajou até os Estados Unidos. Não sei se ele gosta muito de andar de avião, para ver jogos da seleção e devo dizer que, comparando com, enfim, não me recordo de ver o presidente Macron ou o primeiro-ministro francês nos jogos da seleção francesa. E a seleção francesa tem tido uma prestação bastante mais atinada que a nossa. Mesmo aqui ao lado, Espanha, creio que só a um jogo, não sei se ontem estava alguém, mas nos jogos anteriores só a um jogo é que apareceram alguns ministros. Enfim, à Alemanha não foi lá ninguém, ainda bem que não foi, para eles próprios. Quer dizer, este lado de que Portugal tem que estar representado e tem que estar representado pelo primeiro-ministro. E repare, já lá foi o presidente da Assembleia da República, também já lá foi o presidente da República
E agora anda o primeiro-ministro de um lado para o outro, vai para lá mesmo quando tem as jornadas parlamentares do PSD, vai para lá mesmo quando tem alguns problemas graves no país. Eu não sou daqueles que acham que ele devia estar cá a apagar fogos, como penso que andaram por aí a dizer, que é uma daquelas coisas também fáceis de dizer. Mas há outros temas que exigiam algum cuidado político, como por exemplo este problema dos exames. O que é que disseste?
A Cimeira da NATO também.
Mas ele se calhar até voou direto pra Cimeira da NATO. Não sei se passa por Lisboa, se vem cá tocar de mal, não faço ideia. E nisso ele estava a pensar, não vi os calendários, no caso de haver um novo jogo, que é esse em cima da Cimeira da NATO, e ele sair mais cedo da Cimeira da NATO pra ir pra lá. Mas acho tudo isto bastante... Não ganhamos com isto, é o tema do costume. E ele depois ainda pôs uma cereja em cima deste bolo ontem à noite, que é: depois dos documentários, resolveu anunciar que o Ronaldo vai ter um papel qualquer no país. É evidente que o Ronaldo, nós também percebemos pela forma como este campeonato foi seguido na imprensa e nas televisões de outros países, que Ronaldo se calhar não estava em campo para jogar por Portugal, mas para jogar pra o melhor interesse português, porque em termos de tudo aquilo que porventura são receitas, ele é dinheiro em caixa, como costumo a dizer. E é de facto a figura mais conhecida e mesmo quando não jogava nada, era um dele, das personalidades que apareciam na capa dos jornais. Mas daí a querer, mesmo num dia em que as pessoas talvez tivessem alguma simpatia pelo Ronaldo, mesmo no momento da derrota, cavalgar logo e dizer que ele vai fazer parte da marca Portugal, é particularmente mau gosto.


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