Urologista Mark Neumaier explica quando alterações ao urinar deixam de ser esperadas com a idade e precisam de investigação
Levantar duas, três ou quatro vezes durante a madrugada para ir ao banheiro.
Esperar alguns segundos até conseguir começar a urinar.
Perceber que o jato perdeu força ou sair do banheiro com a impressão de que a bexiga ainda não esvaziou completamente.
Muitos homens incorporam essas mudanças à rotina como se fossem uma consequência inevitável da idade.
Os números ajudam a entender por que o problema é tão comum.
Segundo o National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK), dos Estados Unidos, a hiperplasia prostática benigna (HPB) afeta cerca de 50% dos homens acima dos 50 anos e chega a aproximadamente 90% depois dos 80.
A instituição classifica a HPB como o problema prostático mais comum entre homens com mais de 50 anos.
Mas existe uma diferença importante entre ter uma próstata aumentada e necessariamente sofrer com sintomas urinários.
As diretrizes de 2026 da European Association of Urology (EAU) chamam atenção justamente para essa questão: sintomas do trato urinário inferior podem ter múltiplas causas e nem sempre estão relacionados diretamente à próstata.
Alterações da própria bexiga e até condições não urológicas também podem estar envolvidas.
Para o urologista Dr. Mark Neumaier, essa distinção é fundamental antes de qualquer indicação de tratamento.
“Nem toda alteração urinária significa necessariamente que o problema seja a próstata. É preciso avaliar o paciente, seus sintomas, o volume prostático e o funcionamento do trato urinário para chegar a um diagnóstico adequado. A partir dessa investigação, podemos definir qual tratamento oferece a melhor relação entre eficácia, segurança e recuperação”, explica.
A noctúria, nome dado à necessidade de acordar durante o período de sono para urinar, merece atenção especial.
Além de fragmentar o descanso, ela não deve ser automaticamente atribuída à próstata.
As diretrizes europeias recomendam investigar outras possíveis causas, como distúrbios do sono, diabetes, insuficiência cardíaca, alterações na produção de urina e até medicamentos.
Em alguns pacientes, diferentes fatores coexistem.
“É muito comum o homem considerar normal levantar diversas vezes à noite, esperar para conseguir urinar ou perceber uma redução progressiva do jato. O envelhecimento pode trazer mudanças, mas isso não significa que o paciente precise conviver com sintomas que prejudicam seu sono e sua qualidade de vida”, afirma Mark.
Essa investigação também é importante porque o tamanho da próstata não acompanha necessariamente a intensidade dos sintomas.
O próprio NIDDK destaca que muitos homens não obtêm alívio completo apenas com tratamentos direcionados à próstata e que o tamanho prostático frequentemente não se correlaciona com a gravidade das queixas urinárias.
A HPB é uma condição benigna e não deve ser confundida com câncer de próstata. Isso, porém, não significa que possa ser ignorada.




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