"Fala-se muito sobre a identidade do Brasil, já parou para pensar? A pergunta sobre a identidade do Brasil é também uma pergunta sobre o futuro"

Brasil que trabalha desde cedo, nascido sob condições adversas, busca novas possibilidades, não se acomoda com fatalidades e se reinventa. Carrega com orgulho suas origens. Preocupa-se com as condições de vida dos seus. É alegre e amoroso, é culturalmente diverso e rico e, assim, se faz imenso. Tem muitas contradições, visto que é gigante, mas tem na democracia espaço de possibilidades.

Ou tem a cara daquele que, desde cedo, sem saber o que é trabalho, teve todas as oportunidades a seu dispor. Fez da política sua carreira, décadas sem nada de concreto para quem o elegeu. Acha chique ser como os EUA, não sendo, entrega de bandeja seu país. Como parte de um clã, lucra com o ódio e prega a democracia das milícias.

Fala-se muito sobre a identidade do Brasil. Já parou para pensar? A pergunta sobre a identidade do Brasil é também uma pergunta sobre o futuro.

Já estivemos nesse lugar: sempre que vislumbramos um futuro melhor e genuíno, nos podam, nos enganam com a falácia: “é pela família tradicional”, “é pela ordem”. Golpes, acordos e mascaramentos da realidade.

É preciso perguntar: crescimento para quem? Que família é reconhecida e protegida? Ordem a serviço de quais direitos? Mais do que repetir palavras, cabe observar as propostas, seus beneficiários e seus efeitos concretos.

Não é possível saber exatamente onde estaríamos se outros caminhos tivessem prevalecido. Sabemos, porém, que o presente resulta de escolhas e disputas e que o futuro não está decidido de antemão.

Educação sempre é uma boa resposta. Acrescida de medidas para que cada vez mais pessoas tenham acesso. Sabe aquele drama que encanta a muitos? As pessoas estudam, estudaram, estão construindo carreiras. Voltam para agradecer às suas famílias, muitas das quais talvez não tenham tido a possibilidade de estudar. Reinventam tradições, combatem algumas e a vida progride, não sem esforço, mas com oportunidade de lutar.

Posso imaginar a cara altiva e sorridente do Brasil. Mas um Brasil mais justo não se constrói apenas pela força da imaginação. Votar é escolher entre projetos, acompanhar e cobrar. Cidadania não se encerra no voto.

A vida não espera nossa indecisão. Ela sempre responde às nossas escolhas.

* Lucimara Reis é licenciada em História, mestre e doutoranda em Serviço Social pela UFJF, além de mãe do Gabriel.