Pobre fandom: “1 milhão de álbuns” não significa a mesma coisa em cada país. Entenda.

Priorizar nos meus resultados Google Não existe uma conversão universal do tipo “X streams = 1 álbum”. A equivalência depende do país, da finalidade da contagem e, em alguns mercados, do tipo de streaming.

Nos EUA, a RIAA (Recording Industry Association of America), organização que distribui os certificados de vendas, instituiu em 2016 uma forma de se adaptar aos novos tempos e ao modo como o público consome música hoje em dia. Esse sistema converte diferentes formas de engajamento digital, como compras e streamings, no equivalente a álbuns vendidos, uma métrica chamada Album Equivalent Unit (AEU).

As regras que valem hoje ditam que, para valer 1 Unidade de Álbum (AEU), é preciso:

Visualizações em edits no TikTok, shorts do YouTube e stories do Instagram não são contabilizadas, apenas execuções em plataformas oficiais. Um exemplo: se, ao longo do ano, você ouviu as faixas de determinado álbum 8.539 vezes no Spotify, isso valeu como 5,7 unidades equivalentes de álbum para o artista.

Para as certificações emitidas pela RIAA para vendas de álbuns, são contados os três fatores: vendas puras, TEAs e SEAs. As regras são:

No Brasil, a entidade oficial que emite e valida as certificações de Ouro, Platina e Diamante é a Pro-Música Brasil (PMB) — antigo nome da ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Discos). Ela é afiliada à IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica).

Os fatores de conversão aplicados sobre as faixas são:

Ou seja: é preciso muito mais execuções das faixas no Brasil do que nos EUA para que elas contem como um álbum vendido.

A fórmula funciona igual para artistas nacionais e internacionais. Entretanto, quando se trata das certificações, existe uma diferenciação. Como o mercado brasileiro consome muito mais música local (sertanejo, funk, MPB) do que música estrangeira, a Pro-Música Brasil estipula metas menores para os gringos conseguirem competir e ganhar placas.

Os critérios atualmente são:

Nacional: 40.000 unidades (Exige 200 milhões de streams de áudio)

Internacional: 20.000 unidades (Exige 100 milhões de streams de áudio)

Nacional: 80.000 unidades (Exige 400 milhões de streams de áudio)

Internacional: 40.000 unidades (Exige 200 milhões de streams de áudio)

Nacional: 300.000 unidades (Exige 1,5 bilhão de streams de áudio)

Internacional: 160.000 unidades (Exige 800 milhões de streams de áudio)

Outros países

Assim como Brasil e EUA possuem regras diferentes entre si, outros países também adotam critérios próprios e não há uma padronização global. O Reino Unido, por exemplo, tem uma metodologia bastante confusa.

No Official Albums Chart britânico, são consideradas as 16 faixas mais ouvidas de cada álbum. As duas faixas com maior número de streams têm seu peso reduzido para o nível da média das outras 14, evitando que um ou dois grandes hits distorçam o desempenho do álbum. Depois desse ajuste, os streams das 16 faixas são somados e divididos por 1.000 para produzir as unidades equivalentes a vendas de álbum.

A França tem uma peculiaridade similar: a entidade que faz o cálculo, chamada SNEP, soma os streams de todas as faixas do álbum, mas retira metade dos streams da faixa mais ouvida antes de fazer a conversão. O objetivo, assim como o método britânico, é evitar que um único hit distorça a equivalência do álbum no mercado.