Levantamento inédito ouviu 2.338 profissionais de 26 estados e do Distrito Federal
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15.set.2026 às 18h49 Atualizado: 16.set.2026 às 19h35
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No Brasil, 48,5% dos médicos que trabalham nas UTIs de hospitais públicos e privados estão com esgotamento emocional elevado e se sentem incapazes de realizar suas tarefas dos pontos de vista físico e mental.
É o que aponta o Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras, conduzido pela Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira) em parceria com o CFM (Conselho Federal de Medicina).
Segundo a pesquisa, 16% apresentam nível agudo de despersonalização, caracterizada pelo distanciamento afetivo que resulta em perda da empatia, habilidade indispensável ao intensivista, e posturas frias ou cínicas no trato com pacientes e colegas.
O levantamento também mostra que 46,4% dos médicos de UTI sentem baixa realização profissional.
Carga de trabalho extensa (horas de plantão seguidas e múltiplos vínculos de emprego), exposição a situações críticas (dor, sofrimento e morte) e pressão por decisões rápidas e assertivas são as principais causas da deterioração da saúde mental.
As respostas foram coletadas de março a outubro de 2024 por meio do questionário MIB (Maslach Burnout Inventory), considerado padrão-ouro para identificar e medir a síndrome de burnout —não se trata, contudo, de um instrumento de diagnóstico. Participaram do levantamento 2.338 médicos com pelo menos um ano de atuação contínua em UTI, em 26 estados e no Distrito Federal.
As respostas foram reunidas em 22 situações relacionadas ao trabalho e, depois, divididas em três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e realização profissional. O mapeamento aponta que 68,9% dos médicos intensivistas apresentaram pelo menos uma dessas três dimensões alteradas.
Outro questionário mediu a satisfação com a vida, e 54,2% responderam estar satisfeitos.
"Alta satisfação com a vida diminui o risco de burnout. Este é um aspecto que não está olhando apenas para o trabalho, mas para o bem-estar global. Durante muito tempo se cometeu o erro de associar o burnout à falta de resiliência e inteligência emocional do profissional. Hoje, está claro que as condições de trabalho são o fator mais importante", afirma Ederlon Rezende, presidente do conselho consultivo da Amib.
O esgotamento emocional é um dos componentes da síndrome de burnout, que se caracteriza pela exaustão física e mental, associada a um estresse crônico e grave relacionado ao ambiente de trabalho.
A pesquisa também dividiu os médicos que trabalham nas UTIs do país em três grupos. O objetivo foi comparar o impacto do nível de qualificação e especialização na assistência aos pacientes críticos, nas condições de trabalho e na saúde mental dos profissionais.
O primeiro grupo é formado por aqueles com RQE (registro de qualificação de especialista) em medicina intensiva; o segundo refere-se àqueles com especialidades correlatas —clínica médica, cirurgia geral, pediatria, cardiologia, nefrologia, anestesiologia e pneumologia, por exemplo—, atuantes em UTIs.
O terceiro abrange profissionais com RQEs que não sejam atividades correlatas à UTI e aqueles sem nenhum registro, mas que trabalham nas unidades de terapia intensiva.
Os resultados sinalizam que a educação continuada e a titulação acadêmica atuam como fatores de proteção contra o estresse crônico.




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