Levantamento da Universidade Federal do Paraná ouviu 146 servidores da PF em Curitiba; 47,26% relataram dormir mal e 43,15% disseram sentir tensão e nervosismo constantes
Mais da metade dos policiais federais ouvidos em Curitiba, no Paraná, relataram problemas relacionados ao sono, tensão e nervosismo, segundo um estudo do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem do Setor de Ciências da Saúde da UFPR (Universidade Federal do Paraná).
O levantamento, que investigou fatores psicossociais relacionados ao trabalho na PF (Polícia Federal), ouviu 146 servidores da Superintendência Regional da corporação na capital paranaense. Do total, 47,26% afirmaram dormir mal e 43,15% relataram tensão e nervosismo constantes. Seis policiais mencionaram vontade de tirar a própria vida.
A pesquisa também identificou diferenças entre homens e mulheres. Segundo a UFPR, as servidoras apresentaram índices expressivamente maiores de sofrimento psíquico e desmotivação.
Esses índices, de acordo com a pesquisa, é resultado de uma sobrecarga da dupla jornada e a permanência de um ambiente historicamente masculinizado nas forças de segurança.
As jornadas irregulares, exposição a situações de risco e pressão constante fazem parte da rotina comum de trabalho da Polícia Federal. Segundo a UFPR, apesar dessas características, a saúde mental dos servidores da instituição ainda é menos estudada do que a dos profissionais das polícias militares e civis.
O estudo resultou na dissertação de mestrado de Jenira Priscila dos Anjos, orientada pela professora Fernanda Moura D’Almeida Miranda, coordenadora do Observatório Nacional de Saúde Mental e Trabalho. A investigação será apresentada na 17ª Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFPR.
Os dados foram coletados entre outubro e novembro de 2025, por meio de questionários estruturados e autoaplicáveis. Dos 320 questionários distribuídos aos servidores elegíveis, 146 foram respondidos voluntariamente.
De acordo com a UFPR, a maior parte dos participantes era formada por homens, brancos e casados, com média de 48 anos de idade e pelo menos 18 anos de atuação na Polícia Federal.
Segundo o levantamento, 68,49% dos servidores entrevistados realizavam atividades mistas, tanto internas quanto externas. Outros 30,82% trabalhavam exclusivamente em escritórios. Nenhum dos participantes atuava apenas em atividades de rua.
A UFPR apontou que maioria dos agentes cumpria jornadas de 40 horas semanais e não tinha rotina noturna fixa, exceto em situações excepcionais.
Dos entrevistados, mais de 95% possuíam ensino superior completo ou pós-graduação, em áreas como Direito, Ciências Contábeis e Engenharia. A pesquisa também destaca que a Polícia Federal dispõe de equipes próprias de médicos, psicólogos e assistentes sociais.
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Além disso, a PF também mantém o Programa Rosa dos Ventos, que oferece mentoria de carreira e atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito, confidencial e disponível 24 horas, com foco também na prevenção do suicídio.
Apesar da estrutura de atendimento, os indicadores de sofrimento psíquico apareceram entre os servidores ouvidos. Além dos problemas relacionados ao sono e da tensão constante, seis participantes mencionaram vontade de tirar a própria vida.
Outro resultado apontado pela pesquisa foi a relação entre o tempo de serviço e a avaliação do ambiente de trabalho: quanto mais tempo um servidor tinha na instituição, menos positiva tendia a ser sua percepção das condições laborais.
A pesquisadora responsável pelo estudo afirmou, no entanto, que o resultado não permite concluir que o tempo de carreira provoque adoecimento. O levantamento identifica uma associação, mas não estabelece uma relação de causa e efeito.
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Por ser um estudo transversal, permite identificar associações e correlações, mas não acompanhar a evolução das condições de saúde dos servidores ao longo do tempo e, por isso, ainda apresenta certas limitações.
Além disso, segundo a pesquisadora, os dados refletem a realidade da Superintendência Regional de Curitiba e não podem ser automaticamente generalizados para todo o efetivo da Polícia Federal no país.
Com base nos resultados, as pesquisadoras propõem medidas para melhorar as condições de trabalho e ampliar o cuidado com a saúde mental dos servidores.




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