Refém Por um Fio tem elenco e diretor em boa forma, mas é contido demais - Crítica

Na primeiríssima cena de Refém Por um Fio, vemos o protagonista Tony (Bill Skarsgard) dirigindo pela cidade de Indianápolis enquanto ouve o programa de rádio do DJ Fred Temple (Colman Domingo). A voz aveludada do apresentador oferece algumas palavras de sabedoria enquanto Tony, visivelmente estressado, se envolve com uma briga de trânsito e estaciona o carro na frente de uma financiadora de empréstimos. Temple introduz “Also Sprach Zarathustra”, hit instrumental do brasileiro Mike Deodato nos anos 1970, e a sessão de sopros faz sua entrada triunfal na trilha do filme… até que o diretor Gus Van Sant resolve cortar a sequência, e a canção, pela metade.

Talvez seja um sinal, deixado por Van Sant para o espectador atento: este é um filme que quase vai te fazer sentir algo transcendental – mas só quase. A sensação persiste durante as pouco mais de 1h40 de Refém Por um Fio, que adapta a história real de Tony e seu elaborado sequestro de Richard Hall (Dacre Montgomery), filho do dono da tal financiadora, que ele acreditava ter lhe trapaceado ao tom de alguns milhões de dólares durante uma negociação imobiliária. O caso mobilizou público, mídia e polícia no final dos anos 1970, quando os EUA ainda nem tinham vivido a desregulação ufanista da era Ronald Reagan.