Eles fazem companhia, recebem os donos na porta e transformam a rotina da casa. Os benefícios dos animais de estimação, no entanto, vão muito além do afeto. Um número crescente de pesquisas sugere que conviver com cães e gatos pode trazer vantagens par

Eles fazem companhia, recebem os donos na porta e transformam a rotina da casa. Os benefícios dos animais de estimação, no entanto, vão muito além do afeto. Um número crescente de pesquisas sugere que conviver com cães e gatos pode trazer vantagens para a saúde física, mental e até cognitiva.

Não por acaso, os pets conquistaram espaço cada vez maior nos lares brasileiros. Segundo dados do Instituto Pet Brasil, o país abriga cerca 150 milhões de animais de estimação, sendo os cães e os gatos os companheiros mais comuns.

A ciência vem mostrando que essa relação pode gerar impactos positivos que vão do coração ao cérebro.

Entre os benefícios mais estudados está o aumento da atividade física, especialmente entre donos de cães.

Os passeios diários ajudam a combater o sedentarismo e favorecem a manutenção do peso corporal. Como consequência, também contribuem para controlar fatores de risco ligados às doenças cardiovasculares, como pressão alta, colesterol elevado, diabetes e obesidade.

Um estudo australiano realizado com tutores de cães observou que eles vão menos ao médico e dormem melhor do que quem não tem cachorro. Eles também são menos propensos a tomar medicamentos para o coração.

Já uma pesquisa britânica acompanhou donos de cachorros e gatos durante os 10 primeiros meses após a adoção e constatou uma diminuição expressiva de dores de cabeça, dificuldade para dormir, indigestão e problemas de sinusite.

A convivência com animais de estimação está associada também à redução da sensação de solidão e ao aumento da sensação de bem-estar. Parte desse efeito pode estar relacionada à liberação de substâncias como serotonina, dopamina e oxitocina, hormônios ligados ao prazer, ao vínculo afetivo e à regulação do humor.

Além disso, cuidar de um animal cria uma rotina de responsabilidades, interação e afeto que pode ajudar a reduzir níveis de estresse, ansiedade e sintomas depressivos.

Para muitas pessoas, os pets também funcionam como uma importante fonte de apoio emocional em momentos de dificuldade, mudanças de vida ou períodos de isolamento social.

Os benefícios não se limitam à relação entre tutor e animal. Cães e gatos também podem influenciar a vida social dos donos.

Pesquisadores descrevem os animais como verdadeiros catalisadores sociais. Um passeio no parque, uma conversa na clínica veterinária ou um encontro casual durante uma caminhada frequentemente servem como ponto de partida para novas interações.

Esse aumento das conexões sociais pode trazer efeitos indiretos sobre a saúde mental, já que relações interpessoais mais fortes costumam estar associadas a maior bem-estar psicológico.

A presença de animais também tem sido associada a ganhos emocionais e comportamentais em crianças.

Em alguns casos, cães treinados para suporte emocional ajudam a desenvolver autonomia, autoconfiança, habilidades sociais e comunicação. A interação diária oferece oportunidades constantes para exercitar responsabilidades, empatia e vínculos afetivos.

Embora os animais não substituam terapias ou acompanhamento profissional, eles podem atuar como aliados importantes no desenvolvimento emocional e social.

As pesquisas sobre cognição ainda são mais limitadas, mas alguns estudos sugerem que conviver com animais pode ajudar a preservar funções mentais ao longo do envelhecimento.

Uma das hipóteses é que os cuidados exigidos pelos pets mantenham as pessoas fisicamente ativas, socialmente engajadas e cognitivamente estimuladas. Essa combinação é frequentemente apontada como fator de proteção contra o declínio cognitivo.

Durante muito tempo, acreditou-se que a presença de animais em casa aumentaria o risco de alergias. Hoje, parte das evidências aponta justamente na direção oposta.

Pesquisas sugerem que a exposição precoce aos microrganismos trazidos pelos cães pode contribuir para o desenvolvimento do sistema imunológico infantil.