Pesquisa aponta menor progressão da degeneração macular relacionada à idade com uso da metformina, mas especialistas alertam para a necessidade de mais pesquisas

Pesquisa aponta menor progressão da degeneração macular relacionada à idade com uso da metformina, mas especialistas alertam para a necessidade de mais pesquisas

Unsplash - 19.nov.2018

28.jun.2026 (domingo) - 7h40 Siga o Poder360 no Google

Por Léo Marques, da Agência Einstein

Um remédio antigo, barato e amplamente usado contra o diabetes pode estar associado a um efeito inesperado: a proteção da visão. Um estudo publicado na revista BMJ Open Ophthalmology acompanhou por 5 anos cerca de 2.000 pessoas com diabetes tipo 2 e observou um possível benefício do uso da metformina na redução da progressão da DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade).

A utilização contínua do fármaco esteve associada a uma diminuição de 37% no avanço da DMRI no estágio intermediário, mesmo depois de ajustes para fatores importantes como idade, sexo, presença de retinopatia diabética, controle glicêmico e tempo de diabetes. A DMRI é uma das principais causas de perda de visão em idosos e afeta a mácula, região responsável pela visão central e de detalhes, usada para ler, identificar cores e reconhecer rostos.

A doença aparece em duas formas: a seca, mais comum (85% dos casos), ocorre quando partes da mácula se tornam mais finas com a idade e/ou pequenos aglomerados de proteína e gordura, chamados drusas, se acumulam na retina. A evolução é lenta, com perda progressiva da visão central.

Já a úmida é mais agressiva e envolve o crescimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina que podem vazar sangue ou outros fluidos, levando à perda visual. Para ambos os casos, fatores como envelhecimento, genética, tabagismo, hipertensão, colesterol alto e diabetes descontrolado aumentam o risco.

A retina é um tecido de alta demanda metabólica e com uma das maiores necessidades de oxigênio por grama de tecido no organismo, sendo especialmente vulnerável ao estresse oxidativo. A ativação da AMPK, uma via relacionada a regulação energética, limpeza e sobrevivência celular, responde como parte desse efeito benéfico da metformina.

Para comprovar o efeito da metformina na prevenção ou progressão da DMRI, seria necessário conduzir um estudo que analise, em humanos, a diferença da evolução da doença em quem toma a medicação com quem recebe placebo.

Enquanto os estudos clínicos não avançam, a indústria tenta acelerar o caminho. A empresa Curative Biotech, dos Estados Unidos, está desenvolvendo uma versão reformulada da metformina para uso direto nos olhos, em forma de colírio ou outras vias de aplicação local, como injeções intraoculares.

A ideia é entregar o medicamento diretamente ao epitélio pigmentar da retina, onde ocorrem processos-chave da degeneração. Pesquisas indicam que a substância pode ativar a AMPK, reduzir a secreção de VEGF (Fator de Crescimento do Endotélio Vascular) e equilibrar o cálcio celular —3 mecanismos envolvidos na doença.

As primeiras indicações seriam para DMRI seca em estágios intermediário e avançado. O projeto ainda está em fase inicial, com um primeiro ensaio clínico em humanos previsto para este ano. Por usar um fármaco já conhecido, o desenvolvimento pode seguir uma via regulatória mais rápida.

Atualmente, o principal recurso para tratar a forma seca é a suplementação vitamínica com antioxidantes e ômega-3 para desacelerar a progressão da doença. Já na forma úmida, injeções intraoculares periódicas de medicamentos antiangiogênicos (que bloqueiam o crescimento de novos vasos sanguíneos anormais) estabilizam ou até melhoram a visão na maioria dos pacientes.

Segundo a Academia Americana de Oftalmologia, terapias genéticas estão sendo estudadas para a busca por um tratamento com uma única aplicação e que ajude o próprio olho a bloquear o crescimento dos vasos sanguíneos anormais sob a retina.

Este texto foi publicado originalmente pela Agência Einstein, em 25 de junho de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.