Integrantes da campanha veem dificuldade para romper a bolha bolsonarista e ampliar apoio entre eleitores de centro e mulheres

A divulgação nesta quarta-feira (15/7) da nova pesquisa Genial/Quaest provocou reações na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. O discurso público de aliados é o de minimizar os resultados.

O próprio presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, tem feito declarações no sentido de que o filho de Jair Bolsonaro segue firme na disputa e que vai superar as dificuldades pelo caminho.

Apesar disso, integrantes da pré-campanha admitem, reservadamente, que os números acenderam um alerta sobre uma perda de fôlego do senador e reforçaram a necessidade de ampliar o diálogo com eleitores além da base bolsonarista.

O levantamento mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a vantagem sobre Flávio tanto no primeiro quanto no segundo turno. No primeiro caso, Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% do senador.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Em uma eventual disputa direta, o petista registra 45%, enquanto Flávio tem 37%, uma diferença de oito pontos percentuais (a margem de erro é de dois pontos).

Integrantes da campanha ouvidos pelo Metrópoles avaliam que a pesquisa reforça um diagnóstico que já vinha sendo feito internamente: Flávio não conseguiu conquistar o eleitorado moderado nem romper a barreira da própria base de apoio. Na avaliação desse grupo, as estratégias adotadas durante a pré-campanha não produziram os resultados esperados.

A mesma percepção é compartilhada por dirigentes de partidos de centro cortejados pelo PL. Lideranças do União Brasil e do PP, por exemplo, afirmam que Flávio falhou na tentativa de se aproximar do centro e não conseguiu se desvencilhar das sucessivas crises enfrentadas ao longo da pré-campanha.

Um integrante da cúpula do União Brasil afirmou, sob reserva, que esse cenário tem contribuído para o isolamento da candidatura.

“É o caso da indicação para a vice. Mencionarem que a Julia Zanatta [deputada do PL de Santa Catarina] poderia ser escolhida faz parecer que eles não querem vencer. Ficar imerso em polêmica não vai ajudar o Flávio a vencer nem a coligar com outros partidos”, disse.

No entorno do senador, a avaliação é de que uma eventual vitória sobre Lula dependerá da capacidade de conquistar eleitores de centro e mulheres, segmentos considerados hoje os principais desafios da campanha.

Outro dado que chamou atenção da equipe foi o desempenho entre os eleitores independentes, grupo que não se identifica nem com o petismo nem com o bolsonarismo.

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