Sexta-feira e sábado foram dedicados a vertentes contemporâneas do rock e do metal, com direito à muita gritaria e atitude

Priorize VEJA no Google Os dois primeiros dias do festival Rock in Rio 2026 foram voltados ao gênero que dá nome ao evento e deram ênfase a artistas veteranos da cena, assim como a alguns jovens que ainda cavam nela seu lugar. Nem todos se deram bem perante o público — Machine Gun Kelly, 36, foi encarado com bastante negatividade por parte da plateia enquanto posava de bad boy —, mas três atrações conseguiram cativar a multidão com primor:

Em atividade desde 1993, a banda sueca tem um golpe infalível no palco: o carisma sem fim de seu vocalista, Pelle Almqvist, 48. Sem ser intimidado pelo calor, o músico permaneceu sob o figurino planejado — um terno enfeitado com luzes LED — e pingou de suor do começo ao fim da apresentação, sem parar de dançar ou de se arriscar no português. Reconhecendo que boa parte da plateia apenas esperava pelo headliner da noite, ele aproveitou para transformar a situação em chavão: “Mais tarde, Foo Fighters, mas, antes, mais música do The Hives”, sempre arrancando gritos e risadas do público. Ao fim do show, era impossível não cantar ao seu lado o refrão da música que dá nome ao disco mais recente da banda: “The Hives forever, forever the Hives”.

Turistas frequentes no Brasil, os membros do grupo liderado por Dave Grohl mostraram energia renovada e um show polido, sem os extensos medleys que marcaram suas visitas passadas ao país. Além disso, funcionou bem a estreia do baterista Ilan Rubin por aqui — integrante que tocou ao lado dos veteranos pela primeira vez há menos de um ano. O show seguiu a setlist esperada, mas ainda teve direito à inclusão surpresa de Marigold, única faixa que Grohl gravou tanto com os Foo Fighters, quanto com o Nirvana.

passado com o fã subindo no palco e arrasando no show do bring me to horizon#BMTHNoMultishow #RockinRioNoMultishow pic.twitter.com/UnIj7W4Xu6

— Multishow (@multishow) September 6, 2026

Após o uso decepcionante do imenso telão que cobre o Palco Mundo ao longo do primeiro dia de festival, todas as bandas do segundo compensaram — e nenhuma com tanto empenho quanto o grupo de Oliver Sykes. Ele não só aproveitou a oportunidade para transmitir imagens do palco em grande escala, como transformou o aparato em recurso narrativo. Inspirados por videogames, os músicos tratam o show como uma experiência interativa do começo ao fim, na qual o público é constantemente desafiado por uma androide que almeja destruir a humanidade, até que a paixão da plateia a convence do contrário. Durante a apresentação, foi especialmente encantador o momento em que o vocalista puxou um fã para o palco, com quem dividiu os vocais guturais de Pray for Plagues.