Por Leonardo Sakamoto, no UOL
A poeira da Copa do Mundo de 2026 começa a baixar, e a principal lição que o Brasil leva para casa não tem nada a ver com o futebol jogado dentro das quatro linhas. O legado amargo deste Mundial é a dimensão do estrago provocado pelas casas de apostas, as famosas bets, na saúde pública e no bolso dos brasileiros.
Fomos humilhados. Não pela Noruega em campo, mas por um sistema que transforma vício, desespero e endividamento em lucro.
Não é possível dissociar essa movimentação da overdose de bets na Copa. E, ironicamente, talvez esse tenha sido o maior triunfo brasileiro no torneio.
O maior obstáculo é que, como repito neste espaço feito um papagaio com cãibra, parte da política nacional estabeleceu uma relação para lá de promíscua com os donos dessas empresas. Há deputados e senadores pegando carona nos jatinhos e nas contas bancárias dos donos das casas de apostas. Como esperar uma regulação dura de quem viaja no luxo financiado pelo dinheiro perdido por trabalhadores endividados?
Convenhamos: se essa lógica fosse levada a sério, poderíamos liberar anúncios de crack e cocaína nos intervalos dos telejornais. Aliás, para comprar uma pedra, ainda é preciso enfrentar o risco de uma biqueira. Para apostar, basta um celular, um clique e o conforto do sofá.
O vício que destrói famílias não se torna menos grave porque veste terno, patrocina o time do coração e paga imposto. Já passou da hora de o Brasil parar de apostar o próprio futuro contra a banca. Porque a banca sempre ganha. E quem paga a conta, como sempre, é o andar de baixo.



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