Levantamento do Itaú BBA e da Inter.B estima necessidade total de R$ 1,2 trilhão no setor

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11.set.2026 às 12h17

Os investimentos no setor de saneamento do Brasil devem atingir um pico no próximo ano, a R$ 44,2 bilhões, dentro de um montante contratado e anunciado entre 2026 e 2030 de R$ 201,5 bilhões, segundo levantamento do Itaú BBA em parceria com a consultoria Inter.B.

O estudo inédito do braço de atacado e banco de investimento do Itaú Unibanco identificou que o montante total de recursos para se universalizar serviços de água e esgoto no país será de cerca de R$ 1,2 trilhão.

O Brasil, desde o marco do saneamento aprovado em 2020, tem meta de levar água tratada para 99% da população e coleta e tratamento de esgoto para 90% até o final de 2033.

"No mundo todo, as maiores oportunidades [para investimento] em saneamento estão no Brasil. Tem muita coisa por fazer por aqui", disse o responsável pela área de infraestrutura em project finance no Itaú BBA, Rogério Yamashita.

Pelos números do estudo, os investimentos esperados entre 2026 e 2030 implicam em um montante por ano injetado em saneamento de R$ 40,3 bilhões.

Mas o ritmo por ano deveria ser de R$ 95,2 bilhões para que a universalização seja alcançada até 2033, segundo a pesquisa, que parte de um estoque de ativos até 2025 de R$ 560 bilhões.

"Tem muito interesse de estrangeiros no setor", disse o co-diretor da área de infraestrutura e energia do Itaú BBA, Eduardo Corsetti, citando como exemplos o fundo soberano de Cingapura e o fundo de pensão canadense CPP, sócios, respectivamente, das empresas de saneamento Aegea e Iguá. "Além da demanda clara, tem resiliência com contratos de concessão de longuíssimo prazo", acrescentou.

Uma das principais fontes de financiamento do setor tem sido debêntures incentivadas, disse Yamashita, calculando em R$ 67 bilhões o montante de emissões já realizadas pelo setor com o instrumento ante montante praticamente nulo quando da época de aprovação do marco do saneamento.

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O próprio Itaú BBA assumiu compromisso de investir R$ 1 trilhão até 2030 em setores com impacto social positivo, elevando a carteira na área de saneamento em 25% desde o ano passado, afirmou Corsetti.

Apesar de alguns pedidos de reequilíbrio de contratos no setor, diante de questões que incluem diferenças em ativos antes e depois de concessões, Yamashita afirmou que trata-se das "dores do crescimento acelerado" e que a indústria de saneamento tem aprendido lições em que o conhecimento em torno de alguns projetos não estava maduro.

"Em contratos de 35 anos é normal alguns ajustes...Temos percebido uma boa evolução das questões com as agências [reguladoras]", afirmou. Ele citou que após as grandes concessões realizadas nas regiões mais desenvolvidas do país nos últimos anos, casos do Sul e Sudeste, os novos projetos nas regiões Norte e Nordeste, mais carentes de cobertura de redes de água e esgoto, são mais complexos.

"Por exemplo, as rodovias que já são pedagiadas têm menos dúvidas sobre a demanda. Algo parecido acontece com saneamento", disse Yamashita.